Caças autônomos, submarinos não tripulados e drones devem ocupar lugar central na estratégia militar do Reino Unido nos próximos anos, segundo um plano de defesa anunciado nesta terça-feira, 30, que reflete a transformação dos conflitos pelo avanço tecnológico.
Batizado de Plano de Investimento em Defesa, o pacote foi adiado diversas vezes em meio a negociações entre chefes militares e o Tesouro sobre o custo de preparar as Forças Armadas para um ambiente de segurança mais deteriorado. Como outros países da Otan, o Reino Unido enfrenta pressão para elevar os gastos militares diante de uma Rússia mais agressiva e de uma percepção de menor previsibilidade dos Estados Unidos.
O primeiro-ministro Keir Starmer disse que a iniciativa manterá o país seguro em "um mundo mais perigoso e volátil do que em qualquer momento das últimas décadas".
O plano, porém, não assume o compromisso de elevar as despesas para 3% do PIB até 2030 - um dos pontos que, segundo relatos, contribuíram para a renúncia de John Healey ao cargo de ministro de Defesa, em 11 de junho.
Ao deixar o governo, Healey acusou o Executivo de subinvestir nas Forças Armadas em um momento de "ameaças crescentes" e citou uma avaliação da inteligência britânica segundo a qual a Rússia poderia atacar um integrante da Otan até 2030. Ele afirmou que a proposta do Tesouro elevaria os gastos para apenas 2,68% do PIB em 2030, depois de atingir 2,6% no próximo ano.
Starmer disse que Dan Jarvis, sucessor de Healey no Ministério da Defesa, trabalhou para "aprimorar e fortalecer" o plano. A versão atual prevê 15 bilhões de libras, ante 13,5 bilhões de libras na proposta anterior, mas abaixo dos 28 bilhões de libras defendidos por autoridades da área.
Segundo Starmer, a meta de 3% será alcançada "no próximo Parlamento", um período que pode se estender até 2034.
O primeiro-ministro afirmou ainda que o plano garantirá "capacidades de ponta" às Forças Armadas para dissuadir ameaças emergentes e proteger a população. A íntegra do documento deve ser publicada ainda nesta terça-feira.
O plano serve como roteiro para que o Reino Unido avance na direção da meta da Otan de 3,5% do PIB em gastos militares até 2035. As Forças Armadas buscam reverter anos de perda de capacidade diante de uma Rússia mais assertiva, que invadiu a Ucrânia em 2022 e tem intensificado testes às defesas europeias com ações abertas e encobertas.
O governo britânico cita como referência o impacto dos drones na guerra na Ucrânia, onde o país usa cerca de 200 mil aparelhos por mês para conter as forças russas. A intenção é investir bilhões em sistemas de drones em todos os ramos militares. Em vez de uma frota planejada de novos destróieres, a Marinha Real deve receber embarcações híbridas que funcionarão como centros de comando para drones.
"A própria natureza do conflito está mudando diante dos nossos olhos", disse Starmer em discurso numa fabricante de drones próxima a Londres. Ele afirmou que, com tecnologia avançada, as forças ucranianas destruíram a frota russa do Mar Negro, "atingiram profundamente o território russo e impediram o avanço de um dos maiores exércitos do mundo".
O Reino Unido e outros países da Otan também têm sido pressionados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a ampliar os gastos com defesa. Trump questiona com frequência a utilidade da aliança e sustenta que Washington garante a segurança de países europeus que contribuiriam menos do que deveriam.
As renúncias de Healey e do ministro júnior da Defesa Al Carns integraram uma sequência de desgastes políticos que levou Starmer a anunciar, na semana passada, que deixará o cargo. Ele deve participar de uma cúpula da Otan na Turquia em 7 e 8 de julho, em um de seus últimos compromissos como primeiro-ministro.
O provável sucessor, o ex-prefeito da Grande Manchester Andy Burnham, deve enfrentar pressão para manter os compromissos do plano.
Na oposição, o porta-voz de Defesa do Partido Conservador, James Cartlidge, disse que a proposta é "insuficiente e tardia". "O plano está quase um ano atrasado e só está sendo acelerado agora porque Keir Starmer está desesperado por um legado", afirmou. Fonte: Dow Jones Newswires.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
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