Há vida fora da Terra? A pergunta já provocava a curiosidade de filósofos desde Aristóteles. A novidade é que a resposta pode vir em poucas décadas, segundo grandes especialistas presentes no São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos.
O astrofísico americano Adam Frank, o Nobel de Física suíço Didier Queloz e o físico brasileiro Marcelo Gleiser participaram nesta quarta-feira, 13, do painel Estamos sozinhos? Vida extraterrestre e o novo lugar da humanidade, um dos mais aguardados do evento.
"Estamos entre a unicidade (da Terra) e a imensa gama de possibilidades do outro lado", resume Queloz.
Há cerca de 30 anos, a pesquisa de doutorado de Queloz inaugurou a revolução dos exoplanetas, descoberta de que há milhares de planetas orbitando estrelas fora do nosso sistema solar. A revelação reforça o chamado paradoxo de Fermi: se deveria haver vida por toda parte, por que ainda não a encontramos?
Segundo ele, há algumas explicações possíveis para esse que é um dos grandes dilemas científicos. Uma das hipóteses é que a Terra é realmente extraordinária - pode ter havido vida em outros planetas, sem condições de mantê-la.
Em segundo lugar, a vida não sobrevive ao deslocamento espacial, o que explicaria a impossibilidade de contato ou distribuição de formas de vida para outros planetas. Outra é que civilizações que ganham consciência e avançam tecnologicamente são como "uma criança com uma arma": sem saber o que estão fazendo, infligem um nível de dano a si e ao planeta a ponto de acabarem desaparecendo.
"Se os cientistas soubessem de algo, não esconderiam, publicariam de imediato. Somos muito faladores", brinca Queloz. Hoje, pesquisas sobre o que está acontecendo na atmosfera dos exoplanetas são algumas das principais vias para rastrear a existência de vida fora da Terra.
Para o astrofísico americano Adam Frank, a resposta pode ser mais direta. Ele não acredita haver um paradoxo de Fermi. "Nunca achamos (vida) porque nunca procuramos o suficiente", afirma.
Segundo ele, os recursos para a busca por inteligência extraterrestre sempre foram limitados: se o universo é um oceano, só vasculhamos o equivalente ao volume de uma banheira, compara o cientista.
Foi por isso que a descoberta de exoplanetas provocou uma grande mudança nessa área. A partir dela, a busca por evidências se tornou mais direcionada, já que se sabe onde esses planetas estão e quais podem ter condições propícias à vida.
O trabalho de pesquisa de Frank consiste justamente na busca por assinaturas de vida, biológicas ou tecnológicas.
Na visão do físico brasileiro Marcelo Gleiser, essa busca é limitada pelo fato de que "só somos capazes de enxergar com olhos humanos", por isso indícios de outros tipos de vida podem passar despercebidos.
A pergunta sobre vida extraterrestre talvez necessite de "uma nova geração de cientistas" para ser finalmente resolvida, segundo Queloz. Possivelmente, ela está mais perto do que nunca por causa da aceleração do conhecimento, que o Nobel vê como "fascinante" e "assustadora". "Mas a pergunta é: 'Como vamos lidar com esse conhecimento? Como fazer com que ele mude a forma como interpretamos a realidade?'", pergunta.
A evolução na aplicação da ciência pela sociedade é o verdadeiro progresso que ele espera ver na próxima década, em que afirma que países como o Brasil podem indicar o caminho.
SPIW
O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras. Veja aqui a programação completa.
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