Estreia hoje nos cinemas brasileiros o filme Backrooms: Um Não-Lugar, e a história por trás dele é quase tão surreal quanto a trama. Tudo começou em 2019, quando uma simples imagem postada no fórum 4chan deu origem a uma das "creepypastas" (lendas de terror da internet) mais famosas do mundo: os Backrooms, um espaço extradimensional infinito, composto por corredores amarelados e vazios de escritórios abandonados, onde entidades misteriosas podem estar à espreita.
Em 2022, um adolescente chamado Kane Parsons, que tinha apenas 16 anos na época, resolveu transformar essa lenda num curta-metragem publicado no seu canal do YouTube, o Kane Pixels. O vídeo explodiu e acumulou mais de 78 milhões de visualizações. A repercussão foi tanta que a A24, um dos estúdios independentes mais prestigiados de Hollywood, contratou o jovem, fazendo dele o diretor mais novo da história da produtora.
No filme, Clark, um vendedor de móveis interpretado por Chiwetel Ejiofor (indicado ao Oscar por "12 Anos de Escravidão"), faz uma descoberta perturbadora no porão de sua loja: uma espécie de portal para uma dimensão labiríntica e inexplicável. Quando ele desaparece lá dentro, sua terapeuta, Dra. Mary Kline (Renate Reinsve, vencedora em Cannes por "A Pior Pessoa do Mundo"), resolve ir atrás dele — e também acaba presa naquele lugar impossível.
O filme vem gerando bastante debate: elogiado pela atmosfera claustrofóbica e pela tensão construída pelo jovem diretor, mas também dividindo opiniões por conta de seu final, que introduz elementos não totalmente desenvolvidos e tem deixado parte do público frustrado.
O que torna tudo mais curioso é pensar que um garoto que postava vídeos caseiros no YouTube há quatro anos agora está estreando um longa-metragem com elenco indicado ao Oscar, produção de nomes como James Wan ("Invocação do Mal") e Shawn Levy ("Stranger Things"), e distribuição de um dos estúdios mais respeitados do cinema atual. Uma história que, por si só, já daria um filme.
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