O comércio varejista brasileiro registrou crescimento de 0,1% no volume de vendas em maio, na comparação com abril, interrompendo a queda observada no mês anterior e indicando uma recuperação gradual do consumo das famílias. O resultado, divulgado nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforça a capacidade de reação do setor mesmo em um ambiente marcado por juros elevados, inflação ainda resistente e maior cautela dos consumidores.
Na comparação com maio do ano passado, o desempenho também foi positivo em diversos segmentos do varejo, impulsionado principalmente pelas vendas em supermercados, produtos farmacêuticos e itens de uso pessoal. Analistas avaliam que o mercado de trabalho ainda aquecido e a manutenção da renda das famílias seguem oferecendo sustentação ao consumo, apesar do cenário econômico mais desafiador.
Especialistas, no entanto, destacam que o ritmo de crescimento permanece moderado. A política monetária ainda restritiva, o custo elevado do crédito e o comprometimento da renda com despesas essenciais continuam limitando compras de maior valor, especialmente de bens duráveis. Além disso, a inflação dos alimentos segue pressionando o orçamento das famílias, reduzindo a margem para outros tipos de consumo.
O setor também acompanha com atenção os próximos meses, tradicionalmente importantes para o calendário do varejo. Datas promocionais do segundo semestre e a preparação para as vendas de fim de ano poderão ajudar a fortalecer a atividade, desde que haja melhora nas condições de crédito e estabilidade dos preços.
Para empresários do comércio, o avanço registrado em maio é visto como um sinal positivo, mas insuficiente para indicar uma retomada consistente. A expectativa é de que a recuperação continue ocorrendo de forma gradual, acompanhando a evolução da inflação, das taxas de juros e da confiança dos consumidores.
Mesmo com o crescimento modesto, o resultado representa uma mudança de direção após a retração observada anteriormente e mostra que o consumo das famílias continua sendo um dos principais motores da economia brasileira em 2026, ainda que em um cenário de maior seletividade nas compras e busca por preços mais competitivos.
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