O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alternou entre gestos punitivistas e garantistas nesta terça-feira, 24, ao comemorar a sanção do projeto de lei de combate às facções criminosas.
Primeiro, ao falar sobre delações premiadas, falou que é preciso que as autoridades tenham "capacidade e coerência" porque "é preciso que a pessoa tenha provas concretas do que está delatando para a gente não tentar fazer justiça cometendo uma injustiça".
Logo em seguida, usou um argumento constantemente usado por políticos que encampam um discurso punitivista: a frequência com que pessoas presas são soltas poucos dias depois nas audiências de custódia.
"Tem uma coisa muito grave que os governadores se queixam que é que muitas vezes a polícia prende, faz uma festa e três dias depois a pessoa está solta outra vez. É preciso que quando a polícia prenda com provas concretas, o cidadão não possa ser dono da sua própria pena e punição", declarou Lula.
As declarações foram dadas durante a cerimônia de sanção do projeto que ficou conhecido como "antifacção".
Lula disse que a nova lei representa a chance de "pegar os responsáveis que moram em apartamentos de luxo", chamados por ele de "magnatas do crime". O petista também falou que "no Brasil tem lei que pega e lei que não pega".
A dubiedade no discurso do presidente denota a dificuldade que ele terá ao longo da campanha para equilibrar dois tipos de eleitor diferentes: o da esquerda, que tem um discurso mais garantista, e o da direita, com discurso mais punitivista.
O presidente também criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas ações com mote de combate ao narcotráfico. "Não faz muito tempo, vocês viram pela imprensa o presidente norte-americano criando vários problemas na relação com países da América do Sul em busca de combater o narcotráfico. Matou-se algumas dezenas de pessoas em barcos, nunca se provou se eram traficantes ou não, mas era a acusação", afirmou.
Lula citou a Operação Carbono Oculto e as operações contra o grupo Refit por sonegação fiscal. Reiterou que nas conversas que teve com Trump nos últimos meses demonstrou a vontade de ajudar no combate ao crime organizado e narcotráfico.
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