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Diário de Notícias

DN.

Por que o Dia da Amazônia é comemorado justamente em 5 de setembro?

A data parece feita sob medida para a floresta, mas a origem do 5 de setembro é, na verdade, burocrática. Foi nesse dia, em 1850, que dom Pedro II sancionou a Lei nº 582, elevando a antiga Comarca do Alto Amazonas à condição de Província do Amazonas. A região deixava de ser um apêndice administrativo do Grão-Pará e ganhava governo próprio — um marco na história política do norte do país, e o motivo pelo qual a data acabou virando símbolo de toda a região amazônica.

A transformação dessa efeméride regional em data nacional, porém, demorou mais de um século e meio. O Dia da Amazônia só passou a integrar oficialmente o calendário brasileiro em 19 de dezembro de 2007, com a Lei nº 11.621. A ideia era criar um momento fixo no ano para chamar atenção para a importância ambiental, cultural e econômica da floresta — algo que, em 1850, não estava nem de longe no radar de quem assinou o decreto imperial.

Curiosamente, o 5 de setembro acumula outra celebração ligada à região: é também o Dia Internacional da Mulher Indígena, data que homenageia Bartolina Sisa, líder aimará assassinada na Bolívia no século 18. A coincidência acabou dando ao dia uma camada a mais de significado, reunindo no mesmo calendário a floresta e os povos que vivem nela há milhares de anos.

E a Amazônia justifica com folga a homenagem. Ela abriga o bioma de maior biodiversidade do planeta, a maior bacia hidrográfica do mundo e um estoque gigantesco de carbono que ajuda a segurar o aquecimento global. Também influencia o regime de chuvas de boa parte da América do Sul por meio dos "rios voadores". E é casa: na Amazônia Legal vivem cerca de 28 milhões de pessoas, incluindo mais da metade dos 1,7 milhão de indígenas registrados pelo Censo 2022, além de ribeirinhos, quilombolas e comunidades extrativistas. Não é pouco para uma data que nasceu de uma assinatura no papel.

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