Uma das notícias mais impressionantes de meio ambiente desta semana vem das entranhas da própria Terra: cientistas confirmaram que a África está se dividindo em dois continentes, e o processo está mais avançado do que qualquer estudo anterior havia indicado.
A descoberta recente:
Um estudo publicado na revista Nature Communications mostra que a crosta terrestre entre o Quênia e a Etiópia, na região chamada Rifte de Turkana, afinou para cerca de 13 quilômetros no eixo da fenda. Para os pesquisadores, isso é um sinal de que a região entrou em uma fase crítica do processo que, no futuro, pode dar origem a um novo oceano.
"O leste da África avançou mais no processo de rifteamento do que se pensava. Descobrimos que o processo está mais avançado e que a crosta é mais fina do que se reconhecia anteriormente", afirmou Christian Rowan, pesquisador da Universidade Columbia e autor principal do estudo.
O que está acontecendo exatamente:
A Placa Africana está se dividindo em duas porções: a Placa Nubiana a oeste e a Placa Somaliana a leste, que se afastam alguns milímetros por ano. Na área do Turkana, a crosta já se aproxima de valores típicos de crosta oceânica — esse afinamento intenso indica um estágio avançado de rifteamento continental.
O que vai acontecer no futuro:
Se a taxa atual de extensão de cerca de 6 a 7 mm por ano se mantiver, a ruptura completa da litosfera e a invasão das águas do Oceano Índico poderão ocorrer em aproximadamente 10 milhões de anos. Nesse cenário, partes da Etiópia, Quênia, Tanzânia e Moçambique formariam um novo bloco continental separado, cercado por um oceano recém-formado.
O detalhe que deixa tudo ainda mais curioso:
O Vale do Rift da África Oriental já abriga alguns dos sistemas de água doce mais impressionantes da Terra, incluindo o Lago Vitória, o Lago Tanganyika e o Lago Malawi. Esses corpos d'água contêm 25% da água doce superficial não congelada do planeta e sustentam 10% de todas as espécies de peixes da Terra.
Em outras palavras: o próximo oceano do mundo já está nascendo — lentamente, imperceptivelmente, debaixo dos pés de quem vive nessa região. E nós estamos aqui para ver os primeiros sinais disso acontecendo.
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