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Diário de Notícias

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A Amazônia está verde no mapa mas está doente por dentro

Um estudo publicado na revista científica PNAS (uma das mais respeitadas do mundo) no final de abril de 2026 revelou algo que os números oficiais não contam: a Amazônia brasileira pode parecer preservada quando vista de longe, mas parte da floresta que continua em pé já perdeu funções importantes. Políticas eficientes para reduzir o desmatamento não conseguiram, na mesma medida, conter a degradação florestal — um problema menos visível, mas com forte impacto sobre carbono, biodiversidade e serviços ambientais.

Qual a diferença entre desmatamento e degradação?

Essa é a chave da notícia, e poucos entendem bem. Desmatamento é a remoção completa da floresta. Degradação ocorre quando a mata permanece de pé, mas enfraquecida por fogo, exploração de madeira, fragmentação e efeitos de borda. Na prática, uma área pode continuar verde no mapa, mas já estar mais seca, mais vulnerável a incêndios e com menor capacidade de armazenar carbono.

Em outras palavras: a floresta existe, mas está perdendo a alma.

O ciclo vicioso que os cientistas temem

Áreas degradadas tendem a ser mais quentes, mais secas e mais vulneráveis a novos incêndios. Isso cria um ciclo perigoso: a floresta enfraquecida queima com mais facilidade, e o fogo, por sua vez, aprofunda a degradação.

Os números assustam: pesquisas anteriores já mostraram que quase 40% das florestas em pé na Amazônia são degradadas por fatores como incêndios, efeito de borda, extração ilegal de madeira e eventos extremos de seca.

E a tendência recente é de piora: os alertas de degradação na Amazônia subiram 44% de 2023 para 2024, e 163% em relação a 2022. Somente no ano passado, 25.023 quilômetros quadrados de floresta foram degradados, sendo cerca de 66% por incêndios florestais — uma área maior do que o Estado de Sergipe.

O paradoxo brasileiro

O que torna tudo isso ainda mais inquietante é o contraste: enquanto o desmatamento caiu 54,2%, representando o menor incremento em dez anos, a degradação cresceu 163% em dois anos. Embora não remova totalmente a vegetação nativa, a degradação degenera a floresta que "sobra", afetando a biodiversidade e reduzindo a capacidade de fornecer serviços essenciais, como a captura de carbono e a regulação do ciclo da água.

O que está em jogo globalmente

A liderança do Brasil no cenário internacional em relação a ações de combate às mudanças climáticas e à perda da biodiversidade depende de respostas eficazes à degradação florestal. O Brasil é sede da COP30 — a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima — neste ano, o que torna o problema ainda mais urgente.


O que essa notícia revela de mais perturbador é que o Brasil aprendeu a combater o inimigo visível — as motosserras e as queimadas ilegais que aparecem nos satélites. Mas existe um inimigo invisível, silencioso, que degrada por dentro uma floresta que, do alto, ainda parece intacta. É como um organismo que continua de pé, mas com os órgãos falhando. E esse inimigo, até agora, está vencendo.

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