A notícia de meio ambiente mais impactante desta semana saiu de uma pesquisa inédita e os números são difíceis de ignorar.
Oito em cada dez pessoas — 85% dos brasileiros — já notam interferências das mudanças climáticas em seu cotidiano, sendo que quase metade, 46%, julga esse impacto intenso. O dado foi obtido por equipes do Aurora Lab e da More in Common, em pesquisa sobre a transição de energias sujas para limpas, ouvindo 2.630 participantes em nove capitais brasileiras.
As consequências mais sentidas no dia a dia revelam que o problema já saiu do noticiário e entrou dentro de casa: as principais reclamações dos entrevistados foram o aumento do custo de vida, apontado por 53%, seguido de problemas de saúde física, citados por 45%, e adoecimento mental, mencionado por 32%.
O dado que mais surpreendeu os próprios pesquisadores foi este: a proporção de brasileiros que confia que o governo deve ser a principal figura a garantir a proteção dos trabalhadores nesse contexto é de sete em cada dez — 67%. Apenas 7% apontam os empregadores e menos de 6% confiam em grupos auto-organizados. A preferência tão forte pelo Estado como agente de solução surpreendeu a equipe de pesquisa.
Outro número que chama atenção é o nível de consciência coletiva: 93% dos entrevistados reconhecem que os modelos de produção e consumo da sociedade precisam ser transformados para enfrentar a crise climática, e 74% concordam totalmente com essa afirmação.
E apesar do mundo estar inundado de desinformação, os brasileiros ainda confiam no que a ciência diz — universidades e cientistas são a fonte com mais credibilidade para 69% dos entrevistados. Ao mesmo tempo, as redes sociais são o principal meio de informação sobre clima para 65% deles.
O retrato é claro: a maioria dos brasileiros sente a mudança climática no bolso, no corpo e na cabeça — mas ainda não sabe muito bem quem vai resolver.
0 Comentário(s)