O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), André Passos Cordeiro, afirma que os efeitos do primeiro ciclo do tarifaço norte-americano contra produtos brasileiros já são sentidos pela indústria química do País. "Nossas exportações para os Estados Unidos caíram de cerca de US$ 2,2 bilhões para US$ 1,8 bilhão". diz.
A Abiquim afirma em comunicado que, no que se relaciona à sobretaxa adicional de 12,5% anunciada pelos Estados Unidos - com base em alegações relacionadas à importação, pelo Brasil, de produtos oriundos de países com vínculos a trabalho forçado - a entidade já havia se manifestado junto ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), durante a consulta pública da Seção 301.
"Na ocasião, a Associação apresentou informações sobre os mecanismos de conformidade adotados pelo setor químico brasileiro e reafirmou o compromisso da indústria com elevados padrões de governança, responsabilidade social e respeito aos direitos humanos, defendendo que eventuais medidas comerciais sejam fundamentadas em critérios técnicos e objetivos", diz a Abiquim.
Embora o Brasil esteja entre os países atingidos pela medida, a Abiquim diz que não há fundamentos econômicos que justifiquem a aplicação das tarifas ao setor químico brasileiro. Em 2025, os Estados Unidos exportaram cerca de US$ 11,5 bilhões em produtos químicos para o Brasil e importaram pouco mais de US$ 2 bilhões, mantendo um superávit comercial superior a US$ 9 bilhões.
Além disso, a associação ressalta que essa avaliação não é exclusiva da indústria brasileira. Em carta enviada ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o American Chemistry Council (ACC), principal entidade representativa da indústria química dos Estados Unidos, também manifestou preocupação com a medida, afirmando que tarifas amplas sobre produtos brasileiros podem aumentar custos para diversos setores da economia americana, enfraquecer cadeias produtivas e dificultar os próprios esforços de reindustrialização dos Estados Unidos.
A associação avalia de forma positiva a Medida Provisória que institui o Brasil Soberano III, anunciada pelo governo federal para ampliar o apoio às empresas afetadas pelas novas tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. A medida provisória foi editada em resposta ao agravamento das tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras, incluindo a nova sobretaxa de 25% decorrente da Seção 301, em vigor desde 22 de julho, que se somava às tarifas já aplicadas pela Seção 232.
O pedido da Abiquim ao governo é que o segmento seja enquadrado no grupo destinado às atividades diretamente afetadas pela medida, permitindo o acesso às linhas de crédito previstas no programa.
"A iniciativa do governo representa um importante instrumento de mitigação dos impactos das tarifas. Agora, é fundamental que a regulamentação esclareça rapidamente os procedimentos de acesso às linhas de crédito, permitindo que os recursos cheguem às empresas com agilidade", afirma André Passos Cordeiro.
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