Os dados mais recentes do IBGE revelam que o brasileiro está sentindo forte pressão nas compras do supermercado. A prévia da inflação de março o IPCA-15 registrou alta de 0,44% no mês, mas o número que chama atenção é o dos alimentos: o grupo de alimentação e bebidas subiu 0,88%, quase o dobro da inflação geral, e foi o campeão de alta entre todos os nove grupos pesquisados pelo instituto.
Os vilões do carrinho em março
Os aumentos mais expressivos foram:
- Açaí: +29,95% — a maior alta individual do grupo
- Feijão-carioca: +19,69% — nos maiores patamares históricos da série do indicador
- Ovo de galinha: +7,54% — impulsionado pela Quaresma e por recordes de exportação
- Leite longa vida: +4,46%
- Carnes: +1,45%
No caso do feijão, a alta tem explicação clara: oferta restrita no mercado, com a conclusão da colheita da primeira safra no Paraná e atrasos provocados por chuvas no Cerrado, reduziram a disponibilidade do grão justamente num momento de demanda ativa. Em algumas praças produtoras como o Leste Goiano, os preços avançaram mais de 12% em poucas semanas.
Já o ovo vive um momento peculiar: fevereiro de 2026 foi mês recordista em exportações do produto 2,94 mil toneladas, o maior volume em 13 anos , o que reduziu a oferta interna e empurrou os preços para cima, combinado ao aumento da demanda típico da Quaresma, quando o consumo de ovos cresce como alternativa às carnes.
O que aliviou a conta
Apesar das altas, alguns produtos ajudaram a conter um resultado ainda pior. O café e as frutas registraram quedas de preço no período, impedindo que a inflação de alimentos ficasse ainda mais elevada. Os combustíveis também recuaram na prévia, com gasolina (-0,08%), etanol (-0,61%) e gás veicular (-0,27%).
O consumidor no limite
O cenário reflete um padrão que especialistas vêm apontando para 2026: o brasileiro está comprando de forma mais planejada e seletiva. Pesquisas mostram que 76% dos consumidores pretendem cortar custos ao longo do ano e 71% se dizem mais sensíveis ao preço. O atacarejo os grandes centros de compra por atacado — já responde por 33% do volume de ofertas do varejo, ante 14% em 2021, sinal claro de que a busca por economia está reorganizando onde e como os brasileiros fazem as compras.
Em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 3,9% ainda dentro da meta do governo, que tolera até 4,5% ao ano. O IPCA cheio de março será divulgado no dia 10 de abril.
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