O goleiro de Cabo Verde na Copa do Mundo de 2026, Vozinha, comentou sobre como tem sido sua vida após virar um dos principais personagens do esporte no ano. Saindo de 50 mil seguidores, antes do Mundial, para quase 30 milhões no Instagram, ele disse não se considerar uma pessoa famosa.
"Fama é uma palavra que nem gosto. Eu não acho que eu sou famoso", disse nesta quinta-feira, durante participação no Rio Innovation Week. O esportista participou por videoconferência do painel "O case Vozinha: de defesas milagrosas para fenômeno nas redes sociais".
Apesar de negar a fama, Vozinha brincou que sua vida "tem sido uma loucura". Apresentado como novo jogador do Colo-Colo, do Chile, nesta semana, ele foi ovacionado por 35 mil pessoas no estádio Monumental. A nova camisa do goleiro chegou em um paraquedas.
"Depois do Mundial, minha carreira ganhou dimensões gigantescas. Estar no Colo-Colo, que é o maior clube do Chile, é uma honra enorme. Estou realizando um sonho de continuar minha carreira aos 40 anos e sinto que ainda tenho alguns anos para continuar honrando o futebol."
Apesar de dizer que ainda jogará por mais alguns anos, o atleta deixou em aberta a possibilidade de jogar a próxima Copa do Mundo. Ele explicou que conversará com o novo técnico da seleção cabo-verdiana, mas que não sabe se atuará daqui quatro anos.
Em relação à aposentadoria, Vozinha afirmou que continuará em alguma outra função no esporte. "Futebol é vida e inspira a todos."
RELAÇÃO COM O BRASIL
O goleiro cabo-verdiano também falou sobre a relação com o Brasil, dizendo inclusive que tem uma "dívida" com o país. Ele disse que gostaria de estar presencialmente no painel, mas que por conta do compromisso com o Colo-Colo não foi possível viajar para o Rio de Janeiro.
Durante mais de uma oportunidade, Vozinha agradeceu aos brasileiros pela torcida para Cabo Verde na Copa e citou que os dois povos são muito parecidos.
"Temos muitas coisas em comum, somos dois países ricos na música, na culinária, na cultura. Também somos um povo alegre, apesar das dificuldades. Aqui em Cabo Verde consumimos novelas, gostamos do Carnaval brasileiro. Essas partes do Brasil estão entre nós", contou.
Ele falou ainda sobre música, dizendo gostar de Gabriel o Pensador, Revelação e revelou que o Seu Jorge pode dar voz a uma produção audiovisual que vai contar a história da seleção de Cabo Verde na Copa do Mundo de 2026.
Falando sobre futebol, o novo astro do mundo aproveitou para eleger seus três goleiros brasileiros preferidos: Dida, Taffarel e Rogério Ceni. Como menção honrosa, ele ainda citou Fábio, do Fluminense, por causa da longevidade.
'TENHO A CONSCIÊNCIA TRANQUILA'
Vozinha comentou que para participar da Copa do Mundo foi preciso muita resiliência e esforço. Trazendo um pouco do histórico de sua própria carreira, ele contou que se profissionalizou somente aos 25 anos e que, por isso, não teve categoria de base.
Segundo ele, o desempenho do país africano na Copa deixou um legado não somente para o esporte, mas para Cabo Verde como um todo. "Abrimos porta para a cultura, turismo. Somos um país que temos bons artistas. Temos muito talento por metro quadrado."
Ele ainda deixou um recado para os brasileiros dizendo que o mais importante é ter a consciência tranquila. Vozinha pontuou que mesmo que não tivesse ido para a Copa do Mundo, estaria feliz porque deu o máximo de si.
"As coisas vão ocorrer bem, mas mesmo não se ocorrer, vocês vão ficar de consciência tranquila que fizeram tudo para conseguir algo grande. Nem sempre a vida será igual para todos. Mas precisamos ser orgulhosos do trabalho que fazemos."
O Rio Innovation Week começou na última terça-feira no Píer Mauá, no Centro do Rio de Janeiro (RJ). A edição 2026 terá mais de 3 mil palestrantes que falarão sobre assuntos que tangenciam o tema central do evento: "Simbiose: o futuro não acontece isolado". O evento será realizado até sexta-feira.
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