Hoje, 31 de março, o mundo segura a respiração. Amanhã, quarta-feira (1º de abril), a NASA lança a missão Artemis II o primeiro voo tripulado rumo à órbita da Lua desde a Apollo 17, em dezembro de 1972. São mais de 50 anos de espera. O lançamento está marcado para as 13h50 (horário de Brasília), a partir do Complexo de Lançamento 39B no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, com 80% de probabilidade de condições climáticas favoráveis.
A tripulação histórica
Quatro astronautas estarão a bordo da cápsula Orion, batizada de Integrity, lançada pelo foguete SLS (Space Launch System), o mais poderoso já desenvolvido pela NASA. A missão carrega marcos históricos de representatividade: Reid Wiseman (comandante), Victor Glover (piloto que se tornará o primeiro homem negro a chegar à órbita lunar), Christina Hammock Koch (especialista de missão a primeira mulher em uma missão lunar) e o canadense Jeremy Hansen (o primeiro não americano a orbitar a Lua). Juntos, eles viajarão por cerca de 10 dias em uma das jornadas mais ambiciosas da história espacial humana.
O que a missão vai fazer
A Artemis II não tem previsão de pouso. O objetivo é testar na prática, no ambiente do espaço profundo, todos os sistemas críticos da nave Orion suporte à vida, geração de oxigênio, controle ambiental, comunicações, navegação e manobras manuais. Após dois dias em órbita terrestre para verificações iniciais, a nave receberá o impulso do módulo de serviço europeu para a injeção translunar. A viagem de ida até a Lua levará cerca de quatro dias. No ponto mais distante, a tripulação estará a aproximadamente 370 mil quilômetros da Terra e voará a 6.600 km além da superfície lunar, passando por regiões nunca vistas diretamente por olhos humanos incluindo partes do lado oculto iluminadas pelo Sol. A trajetória em formato de "oito" usa a gravidade da Terra e da Lua para trazer a nave de volta naturalmente. O retorno está previsto para 10 de abril, com pouso no Oceano Pacífico.
Por que demorou tanto
Os sucessivos adiamentos foram motivados por razões técnicas sérias. Análises da missão não tripulada Artemis I (2022) identificaram desgaste inesperado no escudo térmico da cápsula durante a reentrada na atmosfera, o que exigiu mais de 100 testes adicionais e a alteração do perfil de reentrada para reduzir riscos. Um vazamento de hidrogênio líquido durante os ensaios de abastecimento do foguete SLS também atrasou as janelas anteriores de fevereiro e março. A NASA reforça que a segurança da tripulação é a prioridade absoluta.
O que vem depois
Se a Artemis II for bem-sucedida, o programa avança para a Artemis III (prevista para 2027), que será um voo de treinamento em órbita terrestre. O tão aguardado pouso humano na Lua está programado para a Artemis IV, no início de 2028. A missão também abre caminho, a longo prazo, para uma presença humana permanente na Lua que servirá como base de preparação para missões tripuladas a Marte. A transmissão ao vivo será gratuita pelos canais oficiais da NASA (YouTube, site e streaming NASA+).
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