O Conselho Deliberativo do Corinthians decidiu, por 112 a favor, 49 contra e seis abstenções, em reunião realizada no Parque São Jorge, nesta segunda-feira, expulsar Andrés Sanchez do quadro associativo da agremiação. Tal decisão, recomendada pelo Comitê de Ética alvinegro, é o desfecho das investigações que apontaram que o dirigente teve gastos pessoais de R$ 480.169,60, em valores corrigidos, no cartão corporativo do clube.
Antes mesmo do fim da votação, os torcedores presentes no lado de fora celebraram com rojões e cantoria do resultado eminente.
O ex-presidente corintiano, que exerceu mandatos de 2007 a 2012 e 2018 a 2020, argumentou em mais de uma ocasião que confundiu o cartão corporativo com o seu pessoal para justificar parte desses gastos. Também chegou a ressarcir parte das despesas.
Como cumpre medida cautelar que o proíbe de frequentar as dependências do clube, Andrés não esteve presente para apresentar a própria defesa na votação. Ele tentou obter uma liminar, mas não conseguiu. Dessa forma, foi representado por Alexandre Imbriani, Bruna de Carvalho Fonseca Dias e Anna Julia Luchtemberg, advogados do escritório de Fernando José da Costa.
Mais cedo, no início do dia, faixas de apoio ao ex-presidente foram estendidas na entrada do Parque São Jorge, porém retiradas ainda pela manhã.
A reunião do Conselho foi tratada como um grande evento pelas torcidas organizadas, que realizaram uma manifestação enérgica na Rua São Jorge, com concentração a partir do final da tarde. "Conselheiros, a história vai lembrar quem protegeu o Corinthians e quem se omitiu", estava escrito em uma das faixas exibidas no local. "Com Sanchez, sem chances", dizia outra.
Frente às grandes proporções dadas ao episódio pelos torcedores, havia policiamento reforçado, com viaturas do Batalhão de Choque da Polícia Militar e do Garra, grupo tático de elite da Polícia Civil do Estado, tanto fora quanto dentro do clube.
No teatro do Parque São Jorge, foram registradas algumas confusões entre dirigentes. O vice-presidente do clube Armando Mendonça tentou acompanhar a votação, mas foi impedido por Leonardo Pantaleão, presidente do Conselho Deliberativo. Na convocação para a reunião, já estava determinado que membros da diretoria executiva não poderiam participar.
"Eu me fiz presente em respeito ao estatuto, ao regimento interno. Os senhor Leonardo Pantaleão tinha de ter conhecimento. Na convocação, havia um item proibindo a presença da diretoria e eu fui questioná-lo onde isso estava no estatuto. E aí, ele proibiu nossa presença, alguns conselheiros de oposição concordaram com o posicionamento e eu me retirei", disse Mendonça em contato com a imprensa após ser enxotado.
Durante a reunião, Mário Gobbi, outro ex-presidente do clube, propôs que a pena a ser votada fosse suspensão, em vez de expulsão. Tal sugestão foi motivo de bate-boca entre conselheiros. A proposta, entretanto, foi recusada.
Além da investigação interna, Andrés Sanchez é alvo de apuração do MP, desde que foram vazados documentos que mostravam seus gastos pessoais no cartão corporativo do Corinthians. Em dezembro, ele e o ex-diretor financeiro do clube, Roberto Gavioli, foram denunciados pelo promotor Cássio Conserino por lavagem de dinheiro e crimes tributários.
No dia 14 de março, contudo, a Justiça de São Paulo rejeitou a denúncia. A decisão da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores de São Paulo entendeu que não há justa causa para o prosseguimento da ação penal. O MP-SP recorreu da decisão.
Lavagem de dinheiro foi a acusação que levou o ex-presidente Alberto Dualib a deixar de ser sócio do clube alvinegro em 2008, na esteira do escândalo envolvendo o fundo de investimentos MSI.
Ele renunciou à presidência em setembro de 2007. Um ano depois, quando estava marcada a reunião para expulsá-lo do quadro associativo, teve a mesma postura adotada durante o processo de impeachment e pediu para ser desligado antes da votação. Dualib enviou uma carta de renúncia ao então presidente do Conselho Deliberativo, Carlos Senger, e deixou de ser sócio.
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