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Brasília, 06 de janeiro de 2026 – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Saúde anunciaram nesta semana a aprovação da primeira fase de um estudo clínico inédito no Brasil que visa avaliar a segurança de um novo tratamento para lesões na medula espinhal, condição que pode provocar paralisia e grande impacto na qualidade de vida dos pacientes.
O estudo envolve uma substância chamada polilaminina, desenvolvida por pesquisadores brasileiros em parceria com o laboratório Cristália e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com apoio técnico e regulatório do governo federal.
Objetivo da pesquisa
A pesquisa busca testar a segurança do uso do medicamento em pacientes que sofreram lesões agudas completas da medula espinhal entre as vértebras T2 e T10, com indicação cirúrgica feita em até 72 horas após o acidente.
Nesta etapa inicial da pesquisa, apenas cinco voluntários, com idade entre 18 e 72 anos, serão incluídos. O foco principal é monitorar de forma criteriosa eventuais efeitos adversos e sinais de eficácia terapêutica da substância, com acompanhamento médico contínuo ao longo do estudo.
Avanço científico nacional
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a aprovação deste estudo representa um “marco histórico para a pesquisa clínica e para os pacientes que enfrentam as consequências de traumas na medula espinhal”, reforçando o compromisso do país com a inovação em saúde e com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo Padilha, a pesquisa realizada no âmbito nacional demonstra o potencial científico brasileiro para desenvolver terapias inovadoras e aumenta a expectativa de futuro tratamento para uma condição de alta complexidade médica, que hoje tem opções terapêuticas muito limitadas.
A polilaminina e o impacto esperado
A polilaminina é uma forma estabilizada de laminina — uma proteína natural presente no organismo — com potencial para estimular a regeneração tecidual e neuronal em áreas lesionadas da medula espinhal. Estudos pré-clínicos já mostraram resultados promissores, incluindo recuperação de movimentos em modelos animais.
Caso os testes avancem com resultados positivos ao longo das próximas fases, essa tecnologia pode representar uma nova esperança terapêutica para milhares de brasileiros que vivem com sequelas de lesões medulares traumáticas, possibilitando melhores chances de recuperação funcional e qualidade de vida.
Próximas etapas
Os centros onde ocorrerão os testes ainda serão definidos pela empresa responsável, que também terá papel fundamental em todo o monitoramento e avaliação dos dados clínicos. A expectativa é que essa pesquisa abra portas para estudos mais amplos e colaborações internacionais futuras, colocando o Brasil em destaque no campo de pesquisa biomédica aplicada a lesões neurológicas severas.
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