Um ataque com drone atingiu a única usina nuclear dos Emirados Árabes Unidos neste domingo, 17, provocando um incêndio em seu perímetro. Não houve relatos de feridos ou vazamento radioativo, mas o incidente ressaltou o risco de um retorno às hostilidades, já que o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã permanece frágil.
Ninguém reivindicou a autoria do ataque imediatamente, e os Emirados Árabes Unidos não culparam Teerã, mas tem acusado o Irã de lançar múltiplos ataques com drones e mísseis nos últimos dias, em meio ao aumento das tensões sobre o Estreito de Ormuz, uma importante passagem estratégica para o fornecimento de energia que o Irã controla.
Os Estados Unidos estão bloqueando os portos iranianos, e os esforços diplomáticos para uma paz mais duradoura têm fracassado repetidamente.
O presidente americano Donald Trump sugeriu que as hostilidades poderiam ser retomadas, e a televisão estatal iraniana tem exibido repetidamente segmentos com apresentadores segurando fuzis do tipo Kalashnikov, numa tentativa de preparar o público para a guerra. Os combates também se intensificaram entre Israel e a milícia xiita radical libanesa Hezbollah, apesar de um cessar-fogo estar em vigor entre as duas partes.
O diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, expressou "grave preocupação" com o incidente e afirmou que a atividade militar que ameaça a segurança nuclear é inaceitável, segundo comunicado da agência.
O ataque de domingo marcou a primeira vez que a usina de Barakah, com seus quatro reatores, foi alvo de um ataque durante a guerra. O local fica perto da fronteira com a Arábia Saudita, a cerca de 225 quilômetros a oeste de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos.
Os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã e com quem os Emirados Árabes Unidos lutam como parte de uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, alegaram ter atacado a usina durante sua construção em 2017, algo negado na época por Abu Dhabi.
Programa nuclear dos Emirados
Os Emirados Árabes Unidos assinaram um acordo rigoroso com os EUA sobre a usina nuclear, conhecido como "Acordo 123", no qual concordaram em abandonar o enriquecimento de urânio em território nacional e o reprocessamento de combustível nuclear usado para evitar qualquer receio de proliferação. Seu urânio vem do exterior.
Isso é muito diferente do programa nuclear do Irã, que está no centro de seu longo conflito com os Estados Unidos e Israel.
O Irã insiste que seu programa tem fins pacíficos, mas enriqueceu seu próprio urânio a níveis próximos aos de armas nucleares e é amplamente suspeito de ter tido um componente militar em seu programa até pelo menos 2003. Também restringiu frequentemente o trabalho dos inspetores da ONU.
Acredita-se amplamente que Israel seja o único país com armas nucleares na região, mas o país não confirmou nem negou possuir armas atômicas. O Irã realizou um ataque próximo à usina nuclear israelense de Dimona durante a guerra.
Usinas nucleares têm sido alvos cada vez mais frequentes em guerras nos últimos anos, inclusive durante a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia em 2022.
Cessar-fogo
Apesar dos ataques, o cessar-fogo no Oriente Médio permanece, mas está frágil.
Duas pessoas familiarizadas com a situação, incluindo um oficial militar israelense, afirmaram à Associated Press (AP) que Israel está conversando com os EUA sobre uma possível retomada dos ataques.
Em conversa com seu gabinete neste domingo, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que planejava conversar com Trump sobre o tema. "Estamos preparados para qualquer cenário", disse ele.
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