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'BBC': arquivos de Epstein podem ser apenas 'ponta do iceberg' na investigação contra Andrew

Os e-mails encontrados nos arquivos do caso Epstein podem ser apenas a "ponta do iceberg" entre os materiais que levaram à prisão do ex-príncipe da monarquia britânica Andrew Mountbatten-Windsor, na quinta-feira, 19, segundo a emissora pública BBC.

A investigação teve início com a análise de trocas de mensagens entre o ex-príncipe e o financista Jeffrey Epstein, condenado por exploração sexual de menores, divulgadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

No entanto, de acordo com a BBC, a Polícia do Vale do Tâmisa não se baseou apenas nesses materiais para prender Andrew. Os investigadores solicitaram e-mails adicionais ao governo britânico e ao Palácio de Buckingham que pudessem ajudar a esclarecer a situação.

Procurado pela emissora, o Palácio de Buckingham afirmou, no início da semana, que "apoiaria" a Polícia do Vale do Tâmisa. Horas antes da prisão, ao falar sobre o caso do ex-príncipe, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse à BBC que "ninguém está acima da lei".

Os investigadores também analisaram por conta própria os arquivos do caso Epstein, além de solicitarem cópias integrais ao Departamento Federal de Investigação (FBI, na sigla em inglês) e ao Departamento de Justiça dos EUA, com apoio da Agência Nacional de Combate ao Crime (NCA, na sigla em inglês), principal agência de aplicação da lei do Reino Unido, apelidada de "FBI britânico".

Segundo a BBC, mesmo que os resultados dessas etapas da investigação não tenham sido divulgados, é improvável que as autoridades prendessem um membro da realeza britânica apenas com base em algumas trocas de e-mail publicadas pelos EUA.

Apesar de ter sido detido, Andrew ainda não foi formalmente acusado. Ele passou algumas horas sob custódia na quinta-feira antes de ser liberado sob investigação. O ex-príncipe sempre negou ter cometido qualquer irregularidade relacionada a Epstein, mas não comentou os episódios mais recentes.

O que dizem os e-mails que deram início à investigação

As trocas de e-mail entre Andrew e Epstein divulgadas pelo Departamento de Justiça dos EUA não embasaram toda a investigação, mas serviram como ponto de partida para sua abertura.

Em novembro de 2010, Andrew fez uma viagem à Ásia, financiada pelo governo britânico, como Representante Especial do Reino Unido para o Comércio Internacional. Ao retornar, ele recebeu diversos relatórios sobre os países visitados. Segundo a BBC, apenas cinco minutos após ter acesso ao material, ele encaminhou todo o conteúdo a Epstein.

No mês seguinte, o ex-príncipe voltou a compartilhar arquivos confidenciais com o financista. Dessa vez, tratava-se de um relatório sobre oportunidades de investimento na reconstrução da província de Helmand, no Afeganistão - projeto supervisionado pelas Forças Armadas do Reino Unido e financiado com recursos do governo britânico.

Ainda de acordo com a BBC, em fevereiro de 2011, Andrew sugeriu que Epstein investisse em uma empresa de private equity que ele havia visitado uma semana antes. Todas as conversas ocorreram anos após Epstein ter sido condenado e cumprido 13 meses de prisão por facilitação da prostituição de menores.

A investigação atual não tem relação com as acusações de agressão sexual contra menores das quais Andrew já foi alvo. A advogada Virginia Giuffre, uma das principais testemunhas de acusação do caso Epstein, afirmou ter mantido relações sexuais com o ex-príncipe em três ocasiões, uma delas na mansão do financista em Nova York, quando ainda era adolescente.

Andrew sempre negou as acusações, mas fechou um acordo judicial com Virginia em 2022, o que impediu que o caso fosse a julgamento com júri. No ano passado, após a divulgação do livro de memórias póstumas de Virginia, intitulado "Nobody's Girl", a pressão sobre o ex-príncipe aumentou, e ele renunciou ao título real.

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