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Banco Central eleva projeção do PIB para 2% em 2026, mas vê inflação acima do teto

O Banco Central elevou de 1,6% para 2% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026. A revisão consta no Relatório de Política Monetária de junho e foi motivada, principalmente, pelo desempenho acima do esperado no primeiro trimestre, pela melhora das perspectivas para a agropecuária e a indústria extrativa e por uma expectativa mais favorável para a demanda interna.


Apesar do avanço previsto para o Produto Interno Bruto, o cenário inflacionário tornou-se mais desfavorável. No cenário de referência do BC, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo deve encerrar 2026 com alta acumulada de 5,2%, acima do limite superior de 4,5% estabelecido para a meta de inflação.


A meta perseguida pelo Banco Central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Segundo o relatório, a inflação deve permanecer por mais de dois trimestres consecutivos acima do teto. O Banco Central calculou em 79% a probabilidade de o IPCA ultrapassar o limite superior do intervalo de tolerância em 2026.


A economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com os três meses anteriores, superando as expectativas do Banco Central, com altas nos três grandes setores da atividade econômica. A projeção para a agropecuária passou de 1% para 1,7%, com destaque para as safras de soja, milho e café. Na indústria, a previsão foi elevada de 1,2% para 2,3%, influenciada pela produção de petróleo e gás e pela construção. Para os serviços, a estimativa de expansão foi revista de 1,7% para 1,9%.


Pelo lado da demanda, a projeção de crescimento do consumo das famílias subiu de 1,4% para 2,1%, e a estimativa para os investimentos passou de 0,5% para 1,5%. O relatório afirma que parte do maior dinamismo esperado está ligada a estímulos fiscais e de crédito, mas o Banco Central avalia que os juros elevados devem limitar parte desse impulso.


O BC atribuiu a piora das projeções de inflação a uma combinação de fatores, entre eles resultados recentes do IPCA acima do esperado, atividade econômica mais aquecida, aumento dos preços do petróleo e de outras commodities e elevação das expectativas inflacionárias. O conflito no Oriente Médio também aparece como fonte adicional de incerteza, com impacto mais evidente nos preços de combustíveis, e o fenômeno El Niño tem impacto mediano estimado de 0,3 ponto percentual sobre a inflação de 2026.


No cenário do Copom, a inflação acumulada em quatro trimestres deve alcançar 5,2% no encerramento de 2026, cair para 3,7% no quarto trimestre de 2027 e chegar a 3,1% no fim de 2028. O Relatório Focus, divulgado em 13 de julho, mostrou que o mercado financeiro projeta crescimento de 1,99% para o PIB brasileiro em 2026, com mediana de 2% entre as instituições que atualizaram suas previsões recentemente. Para a inflação, a estimativa do mercado recuou de 5,30% para 5,16%, mas permaneceu acima do teto da meta. O Focus também apontou expectativa de que a taxa Selic termine 2026 em 14% ao ano.


O conjunto dos dados revela uma economia mais resistente do que o previsto inicialmente, mas acompanhada de pressões inflacionárias persistentes, o que tende a exigir cautela adicional do Banco Central nas próximas decisões sobre os juros.

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