Continue lendo o artigo abaixo...
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve sua projeção para a inflação acumulada em 12 meses até o fim do terceiro trimestre de 2027 em 3,2%. Na reunião desta quarta-feira, 28, esse se tornou o horizonte relevante da política monetária.
A projeção segue ligeiramente acima do centro da meta, de 3%. Isso indica que a trajetória de juros embutida no relatório Focus é insuficiente para fazer a inflação convergir ao alvo no período de seis trimestres observado pelo BC. Hoje, as medianas indicam que a Selic estará em 12,25% no fim deste ano e vai cair a 10,50% no fim de 2027.
Nesta quarta, o Copom manteve a Selic em 15,0%, em uma decisão unânime. A decisão era esperada por 36 das 37 instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Ao justificar a decisão, o colegiado disse que os riscos para inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. O BC citou três riscos de alta da inflação: "uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada". Entre os riscos de baixa, o Copom elencou "uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários".
A cotação do dólar usada pelo comitê nas suas projeções permaneceu em R$ 5,35. A mediana do Focus para o IPCA de 2026 passou de 4,16% na reunião anterior para 4,00% agora. Para 2027, permaneceu em 3,80%.
A projeção do Copom para o IPCA acumulado em 2026 passou de 3,5% para 3,4%.
Todas as estimativas levam em conta a evolução da taxa de câmbio conforme a paridade do poder de compra (PPC), a trajetória da Selic embutida no relatório Focus e o preço do petróleo seguindo a curva futura por aproximadamente seis meses, passando a aumentar 2% ao ano posteriormente.
Também nesse cenário de referência, o Copom ajustou as suas projeções para a inflação de preços livres em 2026 (3,6% para 3,5%) e manteve em 3,1% no terceiro trimestre de 2027. A projeção para os preços administrados passou de 3,2% para 3,0% este ano e de 3,2% para 3,3% no horizonte relevante.
Juros reais
Com a manutenção da Selic em 15%, o Brasil continua com a segunda maior taxa de juros reais do mundo, de 9,23%, segundo ranking do site MoneYou. O País está atrás apenas da Rússia, com 9,88%. A Turquia aparece em terceiro lugar, com 6,45%. Depois, figuram no ranking México (5,39%) e Argentina (7,63%).
O BC calcula que a taxa real neutra de juros do Brasil - que não estimula, nem deprime a economia - é de 5,0%.
Seja o primeiro a comentar!