A Bolívia levou um susto, mas buscou a virada diante de Suriname e vai enfrentar o Iraque de olho em vaga na Copa do Mundo após 32 anos - não disputa a competição desde 1994. A representante da Conmebol na repescagem - a rival também é da América do Sul, mas defende a Concacaf - se fez valer do melhor preparo físico na etapa final no estádio BBVA, em Monterrey, no México, para chegar aos 2 a 1 e avançar.
A Bolívia, então envolvida na partida diante de um atrevido Suriname e atrás do marcador, necessitou de somente sete minutos após pausa para hidratação para chegar à vitória. A rival resolveu segurar o 1 a 0 e acabou castigada com gols de bico de Paniagua e em cobrança de pênalti do jovem astro Miguelito, do Santos.
A definição para a vaga ocorre no noite de terça-feira, novamente em Monterrey, diante do Iraque, garantido direto no jogo decisivo por ter melhor ranking na Fifa. Quem ganhar entra no Grupo I da Copa do Mundo e estreia diante do Noruega, dia 16 de junho. A chave ainda conta com França e Senegal, que se encaram no mesmo dia.
O primeiro duelo entre seleções sul-americanas em uma repescagem para Copa do Mundo só foi possível pelo fato de Suriname disputar as Eliminatórias da Concacaf. E foi disputado no estádio BBVA já servindo de testes em uma das sedes da competição com 48 nações, ao lado de Estados Unidos e Canadá.
As seleções chegaram à disputa da repescagem após campanhas distintas. A Bolívia sofreu para ficar em sétimo nas Eliminatórias Sul-Americanas - se garantiu apenas na última rodada - e foi dirigida por três comandantes distintos, entre eles o brasileiro Antonio Carlos Zago. Suriname contratou o experiente holandês Henk Ten Cate, de 71 anos, justamente para a repescagem após somar bons resultados e terminar a terceira fase na Concacaf no segundo lugar da chave.
Com dois protagonistas pouco falados no mundo de futebol, o jogo que não prometia apresentação vistosa começou divertido, com as duas seleções jogando no ataque, despreocupadas com a marcação - mesmo com Suriname escalando três defensores.
Os bolivianos investiam em tramas pelas beiradas, com os pontas Villamil e o santista Miguelito e cruzamentos à área não concluídos por Enzo Monteiro. Já Suriname jogava pelo meio com Piroe (do Leeds United, da Inglaterra) tentando se impor na força física e a todo momento recebendo em condições de marcar, mas também sem finalizar.
Sobrava disposição às seleções, mas faltava mais obsessão para anotar. O lateral Fernández quase surpreendeu em bomba de longe espalmada por Vaessen. A resposta veio com ligação direta do goleiro Vaessen. Kerk apareceu livre na direita e cruzou para Piroe mandar pelo alto, sozinho na marca do pênalti. O camisa 9 do Suriname voltou a falhar, cara a cara, logo depois, ao tentar driblar o goleiro ao invés de chutar. Levando sufoco, a Bolívia viu o goleiro Viscarra fazer milagre e evitar o primeiro gol em defesaça no toque de primeira de Denswil.
O técnico do Suriname voltou do intervalo com mais um zagueiro e, quem diria, abrindo o marcador com um deles. Após jogada pela esquerda, Bogarde bateu de primeira em cima dos marcadores e Van Gelderen, deslocado para o meio-campo, foi mais esperto que os marcadores e o goleiro mexicano e empurrou às redes para grande festa.
A Bolívia estava perdida dentro de campo e ainda via a torcida em Monterrey gritar "olé" a cada toque dos adversários com somente seis minutos da fase final. Suriname arriscou até toque de letra, totalmente solto em campo.
Com Miguelito apagado, a Bolívia sofria para chegar próxima da área. Os chutes de longa distância viraram a arma na busca da igualdade. Suriname mostrava-se plenamente satisfeito com a vantagem mínima e começou a catimbar, com jogadores indo ao chão acusando cãibras - tinham o relógio a seu favor. Eram 10 homens na defesa, dificultando ainda mais o trabalho boliviano.
A pausa para hidratação foi a chance para a Bolívia se ajustar na busca pela reabilitação. E ela veio de imediato. Villamil tocou para Paniagua bater de bico e deixar tudo igual. Suriname acusou o desgaste físico e a Bolívia cresceu após o empate, postada no campo ofensivo.
Godoy, que acabara de entrar em campo para melhorar o poderio ofensivo da Bolívia, sofreu pênalti. Matheus colocou a bola debaixo do braço, mas entregou-a para Miguelito bater com categoria e virar o jogo, definindo a classificação.
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