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Diário de Notícias

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Brasil atinge IDH "muito alto" pela primeira vez na história e sobe 5 posições no ranking da ONU

O Brasil alcançou um marco inédito em sua trajetória de desenvolvimento. O país avançou cinco posições no ranking global do Índice de Desenvolvimento Humano, passando da 87ª para a 82ª colocação entre os 193 países avaliados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Pela primeira vez na série histórica, o Brasil atingiu o patamar de "muito alto" desenvolvimento humano, com índice de 0,805 em 2024 — o melhor nível já registrado pelo país.

Os dados fazem parte do Radar IDHM, publicação que voltou a ser divulgada após dez anos. O levantamento é resultado de parceria entre IBGE, Fundação João Pinheiro e PNUD e analisa a evolução do desenvolvimento humano brasileiro ao longo de 13 anos, de 2012 a 2024. Quando o PNUD começou a calcular esse índice no Brasil, há 30 anos, o país estava na faixa de IDHM baixo, ou seja, abaixo de 0,555.

Educação como motor do avanço

A educação foi o principal motor dessa evolução, avançando de 0,679 para 0,798 entre 2012 e 2024, impulsionada por políticas de transferência de renda como o Bolsa Família, que reduziram o trabalho infantil e aumentaram a permanência escolar. A dimensão educacional registrou o maior crescimento médio anual, de 1,35%, embora tenha sofrido queda pontual em 2021 por conta da pandemia. Longevidade e renda avançaram em ritmo menor, a 0,31% ao ano.

Dos subíndices, a saúde pública é o que apresenta os melhores resultados absolutos, com desempenho de "muito alto desenvolvimento" já em 2012, graças à consolidação do SUS a partir da Constituição de 1988. Ainda assim, é a dimensão com crescimento mais lento, chegando a 0,860 em 2024. Já o parâmetro da renda apresentou trajetória oscilante, indo de 0,732 em 2012 para 0,760 em 2024, refletindo os efeitos da crise econômica iniciada em 2015 e os impactos da pandemia sobre o mercado de trabalho.

Pandemia e recuperação

O índice sofreu recuo em 2020 e 2021 em decorrência da pandemia de Covid-19, mas retomou trajetória acelerada nos anos seguintes, saltando de 0,788 em 2022 para 0,798 em 2023, até romper a barreira do "muito alto" em 2024.

Desigualdades persistentes

Apesar do resultado histórico, o relatório mostra que o avanço não foi homogêneo. Quando ajustado pela desigualdade, o IDHM brasileiro cai de 0,805 para 0,641, indicando que parcela significativa da população ainda vive distante da média nacional.

A desigualdade racial aparece como um dos principais contrastes: enquanto a população branca alcançou índice de 0,851, classificado como muito alto, a população negra ficou em 0,774, ainda na faixa de alto desenvolvimento. No Rio Grande do Sul, um homem branco tem expectativa de vida média de 81 anos; já no Amapá, um homem negro vive, em média, 73 anos. Na dimensão renda, uma pessoa branca no Distrito Federal tem rendimento médio de R$ 1.987, enquanto uma pessoa negra no Maranhão registra média de R$ 446.

Na educação, a distância entre estados também permanece significativa: enquanto 83,3% da população adulta do Distrito Federal possui ensino fundamental completo, na Paraíba o percentual é de 59,1%.

Nordeste avança

Um dado positivo do relatório é o avanço das regiões metropolitanas nordestinas. A Grande Teresina, no Piauí, por exemplo, já registra índice de 0,809 — acima da média nacional. Entre os nove estados do Nordeste, sete regiões metropolitanas já apresentam IDH muito alto, algo inédito nos levantamentos do PNUD.

Novo ciclo de desafios

Para os especialistas do PNUD, o resultado abre uma nova fase. Segundo a coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD no Brasil, Betina Barbosa, o país atingiu sua melhor marca, mas agora entra em um novo ciclo que exige enfrentar desigualdades históricas de raça, gênero e renda. A especialista ressalta que não há alternativa para a melhoria do desenvolvimento brasileiro sem incluir a população negra e as mulheres na agenda de políticas públicas.

A melhora do Brasil no IDH é resultado de décadas de investimento em saúde pública, educação básica e políticas de transferência de renda que reduziram a extrema pobreza e ampliaram o acesso a serviços essenciais para as camadas mais vulneráveis. O desafio agora é garantir que esse progresso se traduza em oportunidades reais para toda a população.

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