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Diário de Notícias

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Brasil encerra amanhã prazo global para contribuições sobre o fim do desmatamento, e o mundo precisa responder


O Brasil vive um momento decisivo na agenda climática internacional. A presidência da COP30 que o Brasil ainda exerce até novembro de 2026 encerra amanhã, dia 31 de março, o prazo para que países, organizações da sociedade civil, empresas e academia enviem contribuições para a construção dos chamados "Mapas do Caminho": os documentos que vão orientar o mundo sobre como abandonar os combustíveis fósseis e zerar o desmatamento até 2030.


O que são esses Mapas do Caminho?

Após a COP30, realizada em Belém em novembro de 2025, ficou evidente que dois temas críticos não chegaram a consenso no texto final da conferência: a saída dos combustíveis fósseis e o combate ao desmatamento global. Em vez de esperar um consenso que resistências políticas especialmente de países altamente dependentes do petróleo impediam, o Brasil adotou uma estratégia diferente: abriu uma consulta internacional ampla e pública, com prazo até o fim deste mês, para reunir contribuições técnicas e políticas de todo o mundo.

O objetivo é chegar à COP31, em Antália, na Turquia, em novembro de 2026, com documentos robustos e cientificamente embasados que sejam difíceis de ignorar politicamente.


Por que isso é relevante agora?

Segundo o diplomata Marco Túlio Scarpelli Cabral, do Ministério das Relações Exteriores, as florestas sequestram entre um quarto e um quinto de todo o gás carbônico do mundo e são também o sustento direto de povos indígenas e comunidades tradicionais. O Brasil se comprometeu com a conservação e expansão das florestas e quer liderar o esforço global para parar e reverter o desmatamento.

O prazo de amanhã é, portanto, mais do que uma formalidade burocrática: é o fechamento de uma janela para que governos, movimentos sociais e setor privado ajudem a moldar o roteiro climático que o mundo vai seguir nos próximos anos.


O legado da COP30 em números

A conferência de Belém produziu 56 decisões por consenso entre quase 200 países, triplicou o financiamento previsto para adaptação climática e lançou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que já mobilizou mais de US$ 6,7 bilhões com o apoio de 63 países. Ao final da conferência, 122 países já haviam submetido suas metas climáticas atualizadas um salto significativo.


O Brasil segue à frente da presidência da COP até novembro de 2026 e o fechamento desta consulta amanhã marca o início da fase mais técnica e estratégica desse trabalho, com o olhar já voltado para a Turquia.


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