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Diário de Notícias

DN.

Brasil encerra hoje a COP15 das Espécies Migratórias em Campo Grande com decisões históricas para proteger animais que cruzam fronteiras

Neste domingo, 29 de março de 2026, acontece a plenária final da COP15 a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres , realizada em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. É a primeira vez na história que o Brasil sedia esse importante evento global, que reuniu representantes de 133 países durante uma semana inteira no Bosque Expo, às margens do Pantanal.

O que está em jogo

A conferência discutiu a inclusão de 42 novas espécies nas listas de proteção internacional entre animais ameaçados de extinção e aqueles com estado de conservação desfavorável. As delegações analisaram 17 propostas de alteração nos Anexos da Convenção e votaram 16 novas Ações Concertadas para os próximos três anos. Os acordos resultantes orientarão investimentos e políticas de conservação em escala global.

Os dados alarmantes que motivam as negociações

Os relatórios divulgados durante a COP15 pintam um quadro preocupante: 24% das espécies migratórias listadas na Convenção estão ameaçadas globalmente e 49% enfrentam queda em suas populações. O caso mais grave é o dos peixes migratórios de água doce desde 1970, suas populações despencaram 81% no mundo todo, impactadas pelas secas cada vez mais severas, pela poluição da água, pela pesca predatória e pelo barramento de rios.

O Brasil como corredor vital

A escolha de Campo Grande não é coincidência: o Mato Grosso do Sul abriga os biomas Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica rotas vitais para inúmeras espécies em seus ciclos migratórios. O Brasil é considerado um corredor crucial para animais como a onça-pintada, o falcão-peregrino, tartarugas, baleias, tubarões, arraias e dezenas de espécies de aves. Todos eles cruzam fronteiras internacionais durante seus ciclos de vida e dependem de acordos entre países para sobreviver.

Sabedoria indígena na cúpula da ONU

Um dos momentos mais marcantes da conferência foi a apresentação do conhecimento dos povos Koripako e Baniwa do Rio Negro sobre as rotas migratórias de aves. Para esses povos, a queda das folhas anuncia a chegada das garças e cararás que sobem do leste para alimentar a floresta um conhecimento ancestral que foi levado oficialmente à agenda da ONU pela primeira vez, em parceria com pesquisadores do Instituto Socioambiental e do Inpa.

Ações concretas já anunciadas

Antes mesmo do encerramento, o governo brasileiro tomou medidas práticas: em março, um decreto presidencial criou o Parque Nacional do Albardão e a APA do Albardão, no Rio Grande do Sul, com mais de 1 milhão de hectares de proteção marinha uma área que vai da costa do estado até 106 quilômetros dentro do oceano. O governo também lançou um edital para mapear rotas migratórias em território nacional e anunciou as primeiras varas de Justiça especializadas no bioma Pantanal, para punir crimes ambientais com mais agilidade.

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