O governo federal lançou no início desta semana o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia — o PNDBio —, considerado um marco histórico para o desenvolvimento sustentável do país. A iniciativa, conduzida pelos ministérios do Meio Ambiente, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e da Fazenda, reúne 185 ações estratégicas e 21 metas distribuídas em oito frentes, com recursos iniciais de R$ 350 milhões do Fundo Amazônia.
O plano foi construído ao longo de dois anos com participação de 16 ministérios, organizações da sociedade civil, academia e setor privado — incluindo Embrapa, Sebrae e a Confederação Nacional da Indústria. Mais de 900 contribuições foram recebidas em consulta pública antes da versão final ser aprovada.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou o caráter inclusivo da proposta: "Há lugar para o extrativista, para o indígena, para o industrial do cosmético, dos fármacos. É uma bioeconomia para um novo ciclo de prosperidade." O vice-presidente Geraldo Alckmin ressaltou que evitar o desmatamento é o principal item do plano: "Só isso já está ajudando as gerações atuais e as futuras, e levando renda para a região amazônica."
Entre as principais metas para 2035 estão a recuperação de 12,5 milhões de hectares de áreas degradadas para produção de biomassa sustentável, o aumento de 70% na produção nacional de biocombustíveis, o apoio a 6 mil negócios comunitários liderados por povos indígenas e comunidades tradicionais, e a inclusão de 300 mil pessoas em programas de pagamento por serviços ambientais — número que hoje é de 71,8 mil pessoas. O plano também prevê dobrar a participação de matérias-primas renováveis na indústria química e elevar a presença de fitoterápicos brasileiros no mercado nacional de 0,5% para 5%.
No mesmo dia do lançamento, o Ministério do Meio Ambiente assinou três convênios totalizando R$ 357 milhões do Fundo Amazônia, beneficiando diretamente 5.500 famílias e 60 instituições de ciência e tecnologia. Os projetos incluem o fortalecimento de cooperativas que trabalham com açaí, babaçu, castanha-do-brasil e cupuaçu em estados como Pará, Acre, Amazonas, Rondônia e Maranhão.
O potencial econômico da biodiversidade brasileira é expressivo: estudo da Embrapa projeta adicionais de US$ 284 bilhões por ano ao país até 2050, valor equivalente a mais de um quarto do PIB brasileiro. Para a secretária nacional de Bioeconomia, Carina Pimenta, o plano representa uma virada: "O PNDBio tira a bioeconomia do campo das potencialidades para o campo da implementação."
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