O Brasil ganhará seu primeiro centro de protonterapia, uma modalidade de radioterapia que utiliza prótons, em vez de fótons, para destruir as células tumorais, atuando, assim, de forma mais precisa na área doente e provocando menos danos em tecidos vizinhos saudáveis.
Previsto para iniciar os atendimentos em 2030, o centro será instalado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Viabilizado por um investimento de R$ 132,6 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, o serviço priorizará o tratamento de crianças e adolescentes com câncer atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Embora a protonterapia tenha sido aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2017, o Brasil ainda não possui nenhuma unidade em funcionamento. Atualmente, pacientes que precisam desse tipo de tratamento dependem de centros no exterior, o que restringe o acesso devido ao alto custo.
O novo centro será desenvolvido em parceria com o Instituto Nacional de Câncer (Inca) e, segundo a Finep, ao menos 60% da capacidade de atendimento será destinada a usuários do SUS.
Segundo a oncologista pediátrica Viviane Sonaglio, líder do Centro de Referência de Tumores Pediátricos do A.C.Camargo Cancer Center, a maior precisão da técnica contribui para reduzir os efeitos colaterais provocados pela radiação ao longo do tratamento.
A especialista ressalta que a protonterapia não substitui a radioterapia convencional em todos os casos. A indicação depende da localização do tumor e da proximidade com órgãos considerados críticos, situações em que a maior precisão da técnica pode oferecer vantagens importantes.
Por que o tratamento é importante para as crianças?
A chegada da protonterapia é considerada especialmente relevante para a oncologia pediátrica. Segundo o Inca, o Brasil registra cerca de 8 mil novos casos de câncer infantojuvenil por ano, e crianças são mais sensíveis aos efeitos da radiação por ainda estarem em desenvolvimento.
Nesse cenário, preservar os tecidos saudáveis durante o tratamento torna-se um dos principais desafios. De acordo com Viviane, cerca de 80% das crianças com câncer são curadas. A especialista explica que a protonterapia pode reduzir efeitos colaterais, como alterações no crescimento, déficits cognitivos, problemas cardíacos e auditivos, além do risco de desenvolvimento de um segundo câncer no futuro.
Quais tumores podem ser tratados?
Na oncologia pediátrica, os principais beneficiados pela protonterapia são pacientes com tumores localizados próximos a estruturas nobres, onde a preservação dos tecidos saudáveis faz maior diferença.
Segundo a especialista, tumores cerebrais estão entre as principais indicações, principalmente em crianças pequenas. Também podem se beneficiar alguns tumores da medula, sarcomas e rabdomiossarcomas (tumores que se original em células musculares) localizados próximos ao coração.
Embora seja uma tecnologia mais precisa, a protonterapia não aumenta, necessariamente, as chances de cura em comparação com a radioterapia convencional. "Quando falamos em protonterapia na criança, pensamos muito mais em um melhor desfecho relacionado à toxicidade do tratamento do que em aumento da taxa de cura", afirma Viviane.
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