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Diário de Notícias

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Bulgária vai às urnas pela 8ª vez em cinco anos com favoritismo de líder pró-Rússia

Os búlgaros comparecem às urnas neste domingo, 19, pela oitava vez em cinco anos, com o objetivo de eleger um parlamento capaz de resolver o impasse político no país balcânico. A votação antecipada ocorre após a renúncia de um governo liderado por conservadores em meio a protestos em dezembro passado, que levaram centenas de milhares de pessoas às ruas.

Na ocasião, os manifestantes pediram um judiciário independente para enfrentar a corrupção. Desde 2021, a nação de 6,5 milhões de habitantes lida com parlamentos fragmentados que resultaram em governos com duração inferior a um ano, derrubados por protestos ou acordos parlamentares.

A alternância de governos gerou desconfiança pública, apatia do eleitor e redução no comparecimento às urnas. A votação de hoje é considerada significativa pois pode levar ao poder um ex-presidente de inclinação à esquerda e pró-Rússia, dias após eleitores húngaros rejeitarem as políticas de Viktor Orbán.

O favorito, o ex-presidente da Bulgária Rumen Radev, lidera a recém-formada coalizão de centro-esquerda Bulgária Progressista. Ele renunciou à presidência em janeiro, meses antes do fim de seu segundo mandato, para buscar o cargo de primeiro-ministro.

O ex-piloto e comandante da força aérea, de 62 anos, prometeu um novo início para a nação. Seus apoiadores dividem-se entre os que esperam o fim da corrupção oligárquica e os que apoiam suas visões eurocéticas e pró-russas. As seções eleitorais abriram às 7h e fecham às 20h (14h no horário de Brasília), quando serão anunciadas as primeiras pesquisas de boca de urna. Resultados preliminares são esperados para segunda-feira, 20.

A Bulgária é membro da União Europeia e da OTAN, e aderiu à zona do euro em 1º de janeiro, pouco depois de entrar na área Schengen. O país enfrenta instabilidade política desde 2021, quando o primeiro-ministro Boyko Borissov renunciou após protestos contra a corrupção.

Radev apresenta-se como opositor às estruturas de poder tradicionais e prometeu remover o modelo oligárquico de governança. Embora tenha denunciado oficialmente a invasão da Ucrânia pela Rússia, Radev opôs-se repetidamente à ajuda militar a Kiev e defendeu a reabertura de negociações com Moscou.

Pesquisas de opinião preveem que a coalizão de Radev pode obter mais de 30% dos votos, com vantagem de cerca de 10% sobre seu rival mais próximo, o partido GERB, de Borissov. A margem de erro das pesquisas é de 3% a 3,5%.

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