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Diário de Notícias

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Canadá diz que acordo proposto pelos EUA era 'muito ruim' e dava vantagem demais a Washington

Autoridades do Canadá afirmaram nesta terça-feira, 25, que o acordo comercial proposto pelos Estados Unidos era "muito ruim", trazia demandas excessivas para os canadenses e dava vantagem demais para Washington, em coletiva de imprensa para anunciar retaliação.

Ministro das Finanças e Receita Nacional, François-Philippe Champagne ressaltou diversas vezes que a disputa comercial não foi uma escolha do Canadá. "Os EUA demandaram que fizéssemos uma escolha. Decidimos enfrentá-los em nome do povo canadense e nossos trabalhadores, porque não vamos aceitar ser controlados por outro país", afirmou.

Champagne evitou entrar em detalhes sobre o que teria sido comentado durante as negociações com os americanos, mas admitiu que uma das condições seria que parcerias comerciais de Ottawa teriam que passar por aprovação de Washington. "Nosso futuro é nosso para decidir", enfatizou o ministro.

As autoridades canadenses pediram que a população reforce campanhas a favor de priorizar a compra de produtos locais e que empresas destaquem quais produtos foram feitos no Canadá em suas prateleiras. Segundo elas, desta forma, os próprios canadenses fortalecem os negócios locais e as ferramentas do governo para retaliar Washington.

"Canadenses precisam ter confiança. Temos a economia de crescimento mais rápido dentre os países do G7, uma das menores taxas de dívida em relação ao PIB e boa disciplina fiscal", acrescentou Champagne.

Ministra da Indústria, Mélanie Joly disse já ter conversado com representantes de empresas canadenses e de multinacionais, incluindo da área automobilística, para manter os empregos no Canadá. Ela reconheceu a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de aumentar tarifas sobre carros para 50%, contudo, ponderou que ainda não há uma ordem executiva implementando as taxas e que é cedo para comentar. "Agiremos se isso acontecer de fato, mas a taxa continua em 25%", disse.

Joly também foi enfática ao apontar que a aliança com o vizinho norte-americano ainda é de interesse de Ottawa, mas que o Canadá "não quer ser parte dos EUA". Segundo ela, as contramedidas foram selecionadas estrategicamente para atingir produtos americanos importantes e ampliar pressão política sobre Washington.

"Não é uma questão de amar o canadense que fala francês, como disse Trump. Temos sim um trabalho de reconciliação a fazer com toda a população do Canadá, mas a verdadeira questão é a soberania. É proteger empregos e toda a nossa cadeia de produção", afirmou. "Não podemos controlar as decisões de Washington, mas controlamos as nossas".

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