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Diário de Notícias

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Carnes exóticas ganham espaço nos cardápios brasileiros e viram tendência nos bares e restaurantes do país

O que antes era restrito às tradições regionais do interior do Brasil está chegando com força às mesas de bares e restaurantes das grandes e médias cidades. As chamadas carnes exóticas — como rã, codorna, jacaré, capivara e outras espécies pouco convencionais — estão sendo incorporadas aos cardápios de estabelecimentos que buscam inovar e oferecer experiências gastronômicas diferenciadas ao consumidor.

O movimento vem sendo acompanhado de perto pela Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), que aponta diversidade e autenticidade como estratégias cada vez mais importantes para atrair clientes e valorizar a cultura alimentar local. Segundo especialistas do setor, a demanda por esses pratos vai além da simples curiosidade gastronômica — ela está profundamente ligada à memória afetiva, especialmente entre consumidores com raízes no interior do país.

Em Belo Horizonte, o Kobes Emporium Bar, no bairro Santa Tereza, é um exemplo consolidado dessa tendência. Com quase três décadas de atuação, o espaço une referências da culinária gaúcha com a tradição mineira, apostando em carnes pouco convencionais desde sua fundação. Entre os pedidos mais frequentes da casa estão a codorna assada na brasa e a rã à milanesa, que conquistaram uma clientela fiel ao longo dos anos.

No Mato Grosso do Sul, o cenário pantaneiro também dita o cardápio. Em Corumbá, o Restaurante Miguéis — fundado em 2000 e hoje administrado pela segunda geração da família — mantém a carne de jacaré como especialidade da casa, consolidando a culinária regional como principal atrativo.

O movimento segue dentro de um ambiente regulamentado, com os estabelecimentos operando dentro das normas do Ibama e dos órgãos de vigilância sanitária. Para os especialistas, o fenômeno representa uma oportunidade de ampliar o repertório gastronômico do país, conectando tradição, inovação e novas experiências à mesa do consumidor brasileiro — e abrindo espaço para que ingredientes historicamente marginalizados sejam revalorizados pela gastronomia contemporânea.

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