Enquanto o governo dos Estados Unidos avalia um ataque ao Irã, o general no topo da hierarquia do Pentágono alertou o presidente Donald Trump e outros funcionários que a escassez de munições essenciais e a falta de apoio dos aliados aumentarão significativamente os riscos da operação para as tropas americanas. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 23, pelo jornal The Washington Post, citando pessoas familiarizadas com as discussões internas.
De acordo com a reportagem, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, avisou durante uma reunião na Casa Branca na última terça-feira, 17, que qualquer operação em larga escala contra o Irã enfrentaria desafios porque o estoque de munições dos Estados Unidos está baixo devido ao apoio contínuo a Israel e Ucrânia.
Em outras reuniões no Pentágono, Caine teria expressado preocupação com a complexidade de um ataque e com o número de possíveis baixas do exército americano. Segundo o jornal, o general acredita que qualquer operação ficaria mais difícil pela falta de apoio de aliados na região.
De acordo com as fontes ouvidas pelo Post, a escala da investida contra o território iraniano dependeria dos objetivos de Trump, mas, de qualquer forma, exigiriam atacar centenas ou talvez milhares de alvos. Se o objetivo for derrubar o poder do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e o regime comandado por ele, a campanha seria ainda mais longa e custosa, exigindo mais munições e colocando a vida de mais pessoas em risco.
Dois tipos de munição críticos para os Estados Unidos contra mísseis balísticos iranianos, os interceptores THAAD e os sistemas de mísseis Patriot, foram muito utilizados no Oriente Médio recentemente e são constantemente requisitados pela Ucrânia por conta da guerra contra a Rússia.
Ryan Brobst, vice-diretor do Centro de Poder Militar e Político da Fundação para a Defesa das Democracias, falou ao The Washington Post que os EUA conseguem produzir algumas centenas dessas munições todos os anos, muito menos do que seria necessário. A Marinha americana também teria um fornecimento limitado de alguns mísseis padrão.
Um ataque ao Irã também poderia abalar alianças dos Estados Unidos no Oriente Médio. O Post afirma que fonte de um país do Golfo Pérsico disse que não deixaria os EUA usarem as bases militares em seu território para atacar os iranianos, devido às ameaças de retaliação do Irã e a dúvidas sobre a capacidade de Washington garantir direitos de navegação no espaço aéreo.
Em comunicado, o gabinete de Caine afirmou que, na sua função de principal conselheiro militar do presidente, o general "apresenta, de forma confidencial, uma série de opções militares, bem como considerações secundárias e impactos e riscos associados, aos líderes civis que tomam as decisões de segurança dos Estados Unidos".
Anna Kelly, porta-voz da Casa Branca, disse que Trump ouve uma "série de opiniões sobre qualquer questão e decide com base no que é melhor para a segurança nacional dos EUA". Ela descreveu Caine como um "membro talentoso e altamente valorizado da equipe de segurança nacional do presidente Trump".
Trump, após a publicação da reportagem pelo The Washington Post, publicou nas redes sociais que é "100% incorreto" que Caine seja "contra entrarmos em guerra com o Irã". Trump disse que o general não gostaria de ver um confronto militar com o Irã, mas que, se isso acontecesse, "é sua opinião que seria algo facilmente vencido". O jornal manteve a reportagem no ar mencionando que as pessoas ouvidas anonimamente discordam de Trump.
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