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Diário de Notícias

DN.

Cinema brasileiro vive seu melhor momento histórico, e agora a tela é obrigatória para produções nacionais

O Brasil atravessa uma fase dourada no audiovisual. Depois da vitória histórica de Ainda Estou Aqui, de Walter Salles e Fernanda Torres, como melhor filme internacional no Oscar 2025 com mais de 5,8 milhões de espectadores nos cinemas nacionais, o país chegou à temporada de 2026 com outro grande título concorrendo em premiações internacionais: O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, estrelado por Wagner Moura, que já ultrapassou 2,5 milhões de ingressos vendidos no Brasil e acumula indicações ao Platino Xcaret o mais importante prêmio do cinema ibero-americano.

Uma política pública que chega junto com o prestígio

No fim de 2025, o presidente Lula assinou um decreto que este ano já está em plena vigência: a Cota de Tela obrigatória, que determina que todos os cinemas comerciais do país reservem um número mínimo de sessões para filmes brasileiros ao longo de 2026. A medida, assinada também pela ministra da Cultura Margareth Menezes e fiscalizada pela Ancine, vai além da cota em si: exige diversidade de títulos, impedindo que um único filme nacional ocupe toda a fatia reservada. Isso abre espaço real para produções independentes, regionais e experimentais chegarem às telas.

A lógica é clara e o governo não esconde: filmes estrangeiros, especialmente os grandes lançamentos de Hollywood, dominam historicamente a programação dos cinemas brasileiros. A cota cria uma concorrência mais equilibrada.

O dinheiro público também bateu recorde

Por trás do prestígio internacional há investimento concreto. O Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) desembolsou R$ 1,41 bilhão em 2025 o maior volume da série histórica, crescimento de 29% em relação a 2024 e de impressionantes 179% em relação a 2021. Com esses recursos, o Brasil fechou 2025 com 124 coproduções internacionais nos últimos três anos, e o número de novos projetos solicitando reconhecimento de coprodução saltou de 56 em 2023 para 140 em 2025.

Na TV paga, o conteúdo brasileiro ocupou 28,2% do horário nobre em 2025 ante 25,6% no ano anterior.

O que isso significa para a cultura brasileira

Especialistas avaliam que o Brasil começa a ser reconhecido internacionalmente não apenas pelo futebol ou pelo carnaval, mas como um país de cultura cinematográfica robusta. A combinação entre políticas de fomento consistentes, talentos consagrados e novos diretores em ascensão cria um ciclo virtuoso que raramente acontece no audiovisual de um país em desenvolvimento.

O desafio agora é garantir que os filmes cheguem ao público além das grandes cidades e é exatamente aí que a Cota de Tela, aliada à diversidade de títulos exigida, pode fazer a maior diferença.


O Brasil que venceu o Oscar com Ainda Estou Aqui é o mesmo que hoje obriga seus cinemas a abrirem espaço para o próximo grande filme brasileiro que talvez ainda nem tenha sido gravado.


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