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Com modelo ágil, Vulcabras dribla queima de preços, ignora Black Friday e tem novo ano recorde

Embalada pela onda de hábitos saudáveis e o aumento no número de corredores no País, a fabricante de calçados brasileira Vulcabras, dona da Olympikus, fechou 2025 com mais um resultado recorde, com avanço de dois dígitos nas receitas, recuperação das margens e lucro histórico. Ao chegar ao 22º trimestre seguido de crescimento, a companhia viu suas ações saltarem mais de 50% no último ano na B3. Hoje, é avaliada em mais de R$ 5 bilhões na Bolsa e se prepara para colher um novo ano positivo em 2026.

A companhia atua no mercado de moda esportiva, estimado em R$ 32 bilhões. Tem como carro-chefe um calçado de corrida com modelos mais acessível ao bolso do brasileiro, a linha Corre, responsável por cerca de 20% das receitas da Olympikus, e hoje um dos mais usados para a modalidade.

Após uma reestruturação profunda, depois da crise que quase a levou à falência no início da década de 2010, a fabricante adotou um modelo verticalizado que tem como um dos principais trunfos a velocidade para atender o mercado, o que a permite calibrar as vendas de acordo com o gosto do público e fugir da briga de preços, nas liquidações de estoque.

"Não participamos da Black Friday, porque a gente tem uma operação verticalizada, muito ágil, não gera estoques. Isso nos dá mais eficiência, procuramos desviar da Black Friday e, mesmo com essas liquidações da concorrência, conseguimos fazer um trimestre com 11% de crescimento", afirma Pedro Bartelle, CEO em entrevista ao Broadcast.

No quarto trimestre de 2025, a receita líquida da Vulcabras avançou 11,4% na comparação anual e superou pela primeira vez a marca de R$ 1 bilhão. A margem bruta ficou em 41,4%, praticamente estável ante 41,6% visto em igual período de 2024, indicando preservação de rentabilidade mesmo em um ambiente de pressão competitiva. Já lucro líquido foi de R$ 158 milhões, queda de 6,1% ante igual período de 2024.

No acumulado do ano, a receita líquida chegou a R$ 3,5 bilhões, alta de 16,8% na comparação com 2024. O lucro líquido recorrente ficou em R$ 572 milhões, avanço anual de 5,3%.

Para Bartelle, o excesso de promoções no País não é apenas sazonal, mas estrutural. Segundo ele, o Brasil é hoje um dos países em que mais se pratica a liquidação. "Às vezes, vemos algumas marcas internacionais que ganham dinheiro em 1 ano, perdem em 2, 3 anos. Vendem, às vezes, abaixo do custo", afirma.

Em relatório sobre a empresa, analistas do UBS destacaram a capacidade da companhia de colocar um produto no mercado em até 4 meses, cerca de um terço dos concorrentes. "Essa agilidade permite à empresa responder mais rápido às tendências de mercado e garante ao varejo a possibilidade de ter estoques menores, enquanto abre espaço para um avanço da fatia de mercado", escreveram os analistas ao iniciar a cobertura da empresa, no fim do ano passado.

O resultado do ano mostra uma recuperação das margens após um período de pressão. Ao longo de 2025, a companhia ampliou seu quadro de colaboradores de cerca de 20 mil para 24 mil funcionários para sustentar o crescimento da produção. No segundo e no terceiro trimestres, a margem bruta recuou cerca de 1,7 ponto porcentual na comparação anual, impacto atribuído à expansão do quadro para acompanhar o aumento da produção. No quarto trimestre, essa perda foi praticamente revertida.

A companhia investiu, ao todo, R$ 242 milhões, cifra superior aos R$ 203 milhões do ano anterior. Também distribuiu R$ 1,5 bilhão em dividendos ao longo de 2025, movimento acelerado pelo incentivo provocado pelas novas regras da reforma tributária. A alavancagem encerrou o ano em 0,9 vez o Ebitda.

Crescimento

Além da marca própria Olympikus, a Vulcabras também representa a americana Under Armour e a japonesa Mizuno. A companhia vem buscando também aumentar a sua venda direta aos clientes. Em 2025, o e-commerce da companhia avançou 25,2%, para R$ 543 milhões, e alcançou uma fatia de 15,3% da receita líquida. Segundo o presidente, o canal digital é operado com foco em rentabilidade. "Nós ganhamos dinheiro desde o primeiro ano do nosso e-commerce", afirmou.

Para 2026, a companhia diz ter concluído os principais investimentos nas linhas de produção e a contratação de pessoas para dar suporte ao crescimento esperado. A carteira de pedidos dos primeiros meses do ano sinaliza mais um ano forte.

"Entramos o ano com um recorde da carteira de pedidos da história da empresa. Dentre todas as incertezas do ano, como Copa do Mundo, eleições no Brasil, muitos feriados, a gente vem se surpreendendo positivamente com a demanda dos nossos produtos", afirma Bartelle.

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