A confiança do empresário paulista caiu 3,1% em abril pelo terceiro mês consecutivo, segundo aponta o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) que a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) antecipado com exclusividade ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado). Neste movimento de março para o quarto mês do ano, o índice saiu de 102,9 para 99,7 pontos e, pela primeira vez desde novembro de 2025 se situou abaixo dos 100 pontos, limite que separa otimismo do pessimismo.
Na avaliação do assessor econômico da FecomercioSP, André Sacconato, o recuo do indicador pelo terceiro mês consecutivo reflete o atual contexto econômico nacional, em que os empresários já começam a observar o impacto do aumento dos custos e os sinais da desaceleração das vendas sobre as receitas de seus negócios e consequentemente sobre as margens de lucro. Muitas das empresas que relataram falta de confiança aos questionamentos da FecomercioSP admitiram estar sofrendo o amargor de dívidas que foram se acumulando ao longo dos últimos anos.
"Além disso, o conflito no Oriente Médio, com seus efeitos sobre o preço do barril de petróleo, aliado às incertezas do cenário internacional - fatores que influenciaram, inclusive, um corte menor da taxa Selic -, impacta negativamente a confiança das empresas", acrescentou o economista.
A expectativa, segundo a entidade, era de uma nova reação do indicador com o início da queda da Selic e a chegada de datas comemorativas, como o Dia das Mães. Contudo, como o corte da taxa foi menor do que o esperado, ele não foi suficiente para sustentar a confiança do empresariado.
Com os juros elevados e a inadimplência em alta também afetam negativamente o consumo, a FecomercioSP recomenda que os negócios adotem uma postura mais cautelosa em relação a novos investimentos e à formação de estoques. No entanto, apesar da queda mensal, o ICEC registrou alta de 2,1% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Confiança do Consumidor
A queda na confiança do empresário paulista dialoga com o movimento também de queda do Índice de Confiança do Consumidor (ICC), que na mesma base de comparação, na margem, recuou 3,8% em abril. Entretanto, mesmo tendo caído mais que a do empresário, a confiança do consumidor permaneceu ainda muito acima do limite que separa o otimismo do pessimismo, estabelecendo-se em 121,1 pontos.
De acordo com Sacconato, isso se deve ao fato de o consumidor ainda estar se sentindo seguro em relação à sua permanência no emprego e ao aumento de sua renda decorrente da política de valorização do salário mínimo do governo federal e os repasses de renda para a camada mais pobre da população por meio dos programas sociais.
"Serão mais de R$ 200 bilhões espalhados na economia este ano por novos programas, Bolsa Família e BPC Benefício de Prestação Continuada", observou o assessor econômico da FecomercioSP.
Para ele, a cobrança do preço disse virá em uma fatura que poderá chegar no segundo semestre. Isso, de acordo com Sacconato, explica em parte o porquê de os subindices que medem as expectativas dos empresários e dos consumidores terem caído, pela ordem, 4,3% e 5% em abril em relação a março.
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