O consumo das famílias brasileiras caiu 0,4% no segundo trimestre de 2026, em comparação com os três primeiros meses do ano. O resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), interrompeu a sequência de crescimento observada no início do ano e sinalizou maior cautela dos consumidores diante dos juros elevados e do endividamento.
Responsável por aproximadamente 65% do Produto Interno Bruto (PIB) pela ótica da demanda, o consumo familiar havia avançado 0,8% no primeiro trimestre. Na comparação com o mesmo período de 2025, entretanto, ainda houve crescimento de 0,5%, indicando que a demanda doméstica permanece acima do nível registrado um ano antes, embora em ritmo mais lento.
A perda de fôlego ocorre em um cenário no qual o custo do crédito continua pressionando o orçamento. Com parcelas mais caras e maior comprometimento da renda, parte das famílias tem priorizado despesas essenciais e reduzido compras de bens de maior valor. Esse comportamento afeta especialmente segmentos dependentes de financiamento e vendas parceladas.
Apesar da retração do consumo, a economia brasileira cresceu 0,5% entre abril e junho e avançou 2% em relação ao segundo trimestre de 2025. A agropecuária apresentou alta de 2,8%, enquanto a indústria cresceu 0,6% e o setor de serviços avançou 0,2%. Os investimentos produtivos também aumentaram 1,2% na comparação trimestral.
Os números mostram uma economia ainda em expansão, mas com sinais de desaceleração no mercado interno. Para os próximos meses, a evolução do emprego, da renda, da inflação e das taxas de juros será determinante para definir se as famílias voltarão a ampliar as compras ou continuarão adotando uma postura mais conservadora.
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