O alerta veio de onde ninguém queria ouvir — direto para a Casa Civil da Presidência da República. O Cemaden, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, enviou uma nota técnica oficial usando um termo que nunca havia aparecido assim em documentos governamentais: "desastre térmico".
O que é esse "desastre térmico"?
Não se trata apenas de um verão quente. O Cemaden alerta que a combinação de dois fatores simultâneos — o aquecimento global já em curso e o retorno do El Niño — pode criar um cenário sem precedentes de calor prolongado, intenso e sem trégua no Brasil. Há 80% de probabilidade de o El Niño se estabelecer no segundo semestre de 2026, possivelmente a partir do trimestre entre agosto e outubro, com intensidade estimada de moderada a forte.
O detalhe que mais assusta os especialistas
Não são apenas os picos de temperatura que preocupam — é a elevação das temperaturas mínimas. Ou seja, as noites também estão mais quentes. Isso impede que o corpo humano se recupere do calor do dia, tornando os episódios de estresse térmico muito mais perigosos, especialmente para idosos e pessoas vulneráveis.
O histórico já é alarmante
Os dados mostram uma escalada que ninguém pode mais ignorar: em 2023, o Brasil registrou oito ondas de calor. Em 2024, foram dez — um recorde histórico. Em 2025, sete episódios. E esses eventos também estão ficando mais longos, com períodos de mais de dez dias consecutivos de calor extremo se tornando cada vez mais comuns no Sudeste e no Centro-Oeste.
José Marengo, um dos climatologistas mais respeitados do mundo e um dos autores da nota técnica, foi direto: "Vai acontecer, será muito quente e vamos sentir mais a partir de setembro." E acrescentou que 2026 tem potencial de superar 2024 como o ano mais quente já registrado na história da humanidade.
Cada região vai sofrer de um jeito diferente
O El Niño não castiga todos da mesma forma. O mapa do sofrimento climático previsto é este:
Sudeste e Centro-Oeste: ondas de calor mais frequentes, baixa umidade, maior risco de incêndios florestais — especialmente a partir de agosto.
Norte e Nordeste: agravamento da seca, atraso no ciclo das chuvas, e impacto direto nos reservatórios do sertão.
Sul: ao contrário dos demais, deve enfrentar chuvas acima da média — com risco elevado de enchentes e deslizamentos em cidades como Curitiba, Vale do Itajaí e na região metropolitana de Porto Alegre.
E no bolso, como fica?
O Cemaden também deixou claro que o impacto não será só climático. O calor extremo deve aumentar o consumo de energia elétrica pelo uso intenso de ar-condicionado e, ao mesmo tempo, danificar safras agrícolas — o que pressiona diretamente o preço dos alimentos. Hortifrutigranjeiros devem ser os primeiros a sentir.
💡 O dado que gelou (de susto): o El Niño de 2024 não foi classificado como muito forte — mas ainda assim provocou a seca histórica na Amazônia e as chuvas devastadoras que inundaram o Rio Grande do Sul por quase um mês. Porque a Terra já está mais quente. Imagina o que um El Niño moderado a forte pode fazer agora, em cima disso tudo.
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