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Desastres climáticos em Minas Gerais refletem negligência com aquecimento global, dizem especialistas

Juiz de Fora (MG), 2 de março de 2026 — Especialistas ouvidos em reportagem da Agência Brasil afirmam que os extremos climáticos que atingiram recentemente a Zona da Mata mineira — com temporais que deixaram ao menos 47 mortos, cerca de 3 mil desabrigados e centenas de desalojados — não podem ser vistos como eventos isolados, mas sim como expressão dos efeitos cada vez mais intensos da mudança do clima em regiões brasileiras.

Segundo o geógrafo Miguel Felippe, professor do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a ocorrência é sintomática da interação entre força climática e vulnerabilidade humana, com chuvas intensas, deslizamentos de terra e rios em níveis inéditos. Para ele, fatores que deveriam ser objeto de políticas públicas robustas continuam a ser negligenciados, agravando a vulnerabilidade de comunidades diante de extremos meteorológicos associados ao aquecimento global.

Os temporais foram marcados por chuvas acima da média que provocaram enchentes rápidas e deslizamentos em áreas urbanas e rurais, um padrão que especialistas climáticos têm identificado como cada vez mais comum em eventos extremos no país. Esses fenômenos, segundo análises científicas recentes, refletem o impacto das mudanças climáticas no ciclo hidrológico e na frequência de episódios de chuva intensa — comportamentos que exigem adaptações nas políticas de gestão territorial, infraestrutura urbana e defesa civil.

Organizações ambientais e cientistas ouvidos na matéria reforçam a necessidade de integrar, de forma mais efetiva, ações de mitigação e adaptação climática às políticas públicas, especialmente nas áreas urbanas e em regiões de relevo vulnerável. A falta de planejamento estratégico e investimento em sistemas de alerta e prevenção, segundo critique os especialistas, contribui para que episódios extremos atinjam níveis devastadores quando poderiam ser parcialmente evitados ou melhor geridos.

Esse movimento de intensificação climática não está restrito ao Brasil: relatórios internacionais indicam que eventos extremos — de enchentes a ondas de calor — têm se tornado mais frequentes e severos globalmente, exigindo respostas coordenadas em políticas climáticas nacionais e acordos internacionais de redução de emissões.

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