Um relatório divulgado ontem (27 de maio) pela rede de monitoramento MapBiomas revelou que o desmatamento no Brasil, incluindo a Amazônia, caiu em 2025 para o menor patamar desde 2019 e ficou, pela primeira vez na história da série, abaixo da marca de um milhão de hectares de vegetação perdida em um único ano. Foram quase 985 mil hectares destruídos, uma redução de 20,6% em relação ao ano anterior.
A queda aconteceu em todos os biomas do país. Na Amazônia, a redução foi de 23,5% na comparação entre 2024 e 2025. E o cenário para 2026 também é animador: segundo o Imazon, o primeiro trimestre deste ano fechou com queda de 17% no desmatamento amazônico, passando de 419 km² para 348 km² — uma diferença equivalente a cerca de 7 mil campos de futebol. No acumulado do "calendário do desmatamento" (de agosto de 2025 a março de 2026), a redução é ainda mais expressiva: 36%, com 1.460 km² derrubados contra 2.296 km² no período anterior — a menor área destruída nos últimos oito anos.
Há expectativa de que este ano o desmatamento na Amazônia seja o menor já registrado na história.
Mas aí vem o dado que gera aquele misto de alívio e incômodo: apesar do resultado positivo, o ritmo de destruição ainda é brutal. Na Amazônia, a maior floresta tropical do planeta, "quase cinco árvores por segundo" foram derrubadas em 2025, segundo o próprio MapBiomas. Ou seja, enquanto você leu essa notícia até aqui, dezenas de árvores amazônicas já foram ao chão.
O dado não inclui as perdas causadas por incêndios florestais, embora as queimadas também tenham registrado queda significativa no ano passado, após o recorde catastrófico de 2024.
Segundo Marcos Rosa, coordenador técnico do MapBiomas, o que explica a queda é o aumento das ações de fiscalização, dos embargos e da transparência sobre as autorizações de desmate concedidas — e tudo isso tem correlação direta com a redução observada em todos os biomas.
O paradoxo é fascinante: o Brasil consegue ao mesmo tempo celebrar a menor taxa de desmatamento em anos e conviver com o fato de que, mesmo nesse cenário "positivo", a Amazônia ainda perde uma área equivalente a quase dois campos de futebol por minuto. É o tipo de boa notícia que lembra que o caminho ainda é longo — mas que, pelo menos, a direção mudou.
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