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Diário de Notícias

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'Desovando corpo': instrutor de rope jump postou vídeo simulando jogar cadáver de ponte em 2022

Um dos instrutores presos pela morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, publicou em seu perfil no Instagram um vídeo simulando o arremesso de um cadáver de cima da Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior de São Paulo. O local é o mesmo da morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, que aconteceu no sábado, 13, após ela saltar de rope jump sem as cordas instaladas.

O vídeo foi publicado na rede social em setembro de 2022 e tem recebido diversos comentários com críticas desde a morte da jovem. As imagens mostram dois homens segurando uma pessoa dentro de um saco preto, que é arremessada da ponte da mesma forma que a jovem. Na abertura do vídeo, aparece o nome da empresa Altaqueda e o título "desovando corpo".

Luis Felipe Feliciano Egoroff, dono do perfil que publicou o vídeo, é um dos três presos pela morte da jovem. Ele se apresenta como bombeiro civil e praticante de rapel e rope jump, modalidade de aventura em que a pessoa salta de uma estrutura elevada - como pontes, viadutos, penhascos ou prédios - presa a um sistema de cordas e equipamentos de segurança. A reportagem tenta contato com a defesa do instrutor.

Os responsáveis pela operação do salto que matou a jovem afirmaram em depoimento não saber explicar por que ela foi lançada da ponte sem as cordas de segurança. Um dos investigados relatou à Polícia Civil que as inspeções eram realizadas normalmente antes dos saltos.

"No dela estamos sem entender até agora", declarou. Ao relatar o que aconteceu após a queda, ele disse ter descido até o local onde a jovem estava sendo socorrida. "Tipo assim, eu estava na ponte, desci lá embaixo e tinha uma enfermeira fazendo RCP [manobra de emergência realizada quando alguém sofre parada cardiorrespiratória]. Aí o resgate chegou e eu subi [para o alto da ponte]", afirmou.

De acordo com a delegada Andrea Levy, responsável pela investigação, os três funcionários responsáveis pela operação e que permanecem presos afirmaram em depoimento que não se lembram de quem deveria instalar ou fiscalizar os equipamentos de segurança.

Em depoimento, outro investigado afirmou que a instalação e a conferência das cordas eram feitas de forma alternada entre os integrantes da operação e que não havia uma definição rígida sobre quem executaria cada etapa em cada salto.

"Às vezes a gente coloca, outro confere; outro confere, outro coloca. Às vezes a gente faz, outro vem e vê se está certo. Era mais ou menos isso", afirmou. Questionado sobre quem deveria ter instalado ou fiscalizado as cordas no salto de Maria Eduarda, o funcionário respondeu que não se recorda. "Não lembro", disse.

O caso é investigado como homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte mesmo sem a intenção direta de matar. Além da dinâmica do acidente, a polícia também apura o desaparecimento de uma câmera que estaria com a jovem no momento da queda.

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