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Diário de Notícias

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Dólar tem leve alta com aversão externa a risco, mas segue abaixo de R$ 5,15

Após cinco pregões de queda, em que acumulou desvalorização de 2,20%, o dólar apresentou leve alta em relação ao real nesta quinta-feira, 26. Operadores afirmam que o ambiente de aversão ao risco no exterior e as perdas de divisas emergentes, em especial latino-americanas, abriram espaço para ajustes e correção no mercado de câmbio local.

O vaivém das notícias sobre as negociações entre EUA e Irã sobre o programa nuclear iraniano trouxe cautela aos negócios. Em Nova York, o Nasdaq recuou mais de 1% diante de preocupações com o progresso e os efeitos econômicos do avanço da inteligência artificial (IA), mesmo com balanço positivo da Nvidia no quatro trimestre.

Com máxima de R$ 5,1655 à tarde, em momento de maior estresse lá fora, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,27%%, a R$ 5,1389. A divisa cai 0,71%% na semana, o que leva a desvalorização acumulada em fevereiro a 2,07%, após queda de 4,40% em janeiro. No ano, a moeda americana recua 6,38%.

O real apresentou perdas inferiores a de seus principais pares, sobretudo entre as divisas latino-americanas. O peso colombiano amargou tombo de quase 2% após pesquisa eleitoral mostrar o candidato da esquerda na liderança das intenções de voto para a eleição presidencial em maio.

O economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, afirma que a trajetória da taxa de câmbio segue muito ligada ao ambiente externo, que tende a permanecer benigno para divisas emergentes. Além disso, o real é beneficiado pela sazonalidade favorável do fluxo cambial, que costuma ser positivo no início do ano, e pela taxa de juros elevada.

"Hoje, tivemos um pouco de correção no câmbio depois da forte apreciação do real nos últimos dias", afirma Lima, que vê possibilidade de o dólar "testar os R$ 5,00" no curto prazo, caso haja continuidade do movimento global de rotação de carteiras e nova rodada de alta dos preços das commodities.

Para o economista-chefe da Western, as questões domésticas não apresentam impacto significativo na dinâmica dos ativos, com sinais ainda muito incipientes de influência das expectativas em torno da corrida eleitoral na formação da taxa de câmbio. "Vimos alguma reação com as pesquisas recentes, mas o cenário global ainda é fundamental para o real", diz.

Ontem, pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em simulação de segundo turno. Analistas chamaram a atenção para o aumento da desaprovação do governo Lula, o que poderia sugerir mais dificuldades para as ambições eleitorais do petista.

La fora, o índice DXY - referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes - operou em leve alta e chegou a se aproximar dos 98 pontos na máxima da sessão, aos 97,984. O yuan ganhou terreno e atingiu o maior nível em relação ao dólar desde março de 2023 nos mercados onshore e offshore.

Investidores aguardam a divulgação amanhã do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) nos EUA em janeiro para calibrar as apostas sobre a eventual retomada de cortes de juros pelo Federal Reserve nos próximos meses. As apostas majoritárias são de que haverá redução da taxa básica americana em julho.

Na contramão de falas recentes de dirigentes do BC americano, o diretor do Fed Stephen Miran, que foi indicado pelo presidente Donald Trump, não vê problemas do lado da inflação, dado que considera a inteligência artificial como uma "fonte profundamente desinflacionária". Miran voltou a afirmar que seria apropriado promover quatro cortes de juros neste ano, com uma redução total em 100 pontos-base.

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