A Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho confirmou neste fim de semana a morte de três de seus voluntários por suspeita de Ebola na República Democrática do Congo. Os três — Alikana Udumusi Augustin, Sezabo Katanabo e Ajiko Chandiru Vivian — atuavam na filial da Cruz Vermelha em Mongbwalu, na província de Ituri, no leste do país, que é o epicentro do surto atual.
O detalhe que mais chama a atenção é como eles foram infectados: acredita-se que contraíram o vírus enquanto realizavam atividades de remoção de corpos em 27 de março, durante uma missão humanitária que não tinha nenhuma relação com o Ebola. Naquela época, a comunidade nem sabia que o surto existia.
Os números assustam. O surto já soma mais de 750 casos suspeitos e mais de 170 mortes. A Organização Mundial da Saúde elevou o nível de risco regional de "alto" para "muito alto".
O que torna esse surto particularmente preocupante é o tipo de vírus envolvido. Trata-se da variante Bundibugyo do Ebola, uma cepa rara cuja taxa de mortalidade varia entre 30% e 50% e para a qual não existe vacina nem tratamento específico aprovado.
A situação é agravada pelo conflito armado na região. Um grupo formado pelos Estados Unidos, União Europeia e governos de vários países europeus apelou às partes em conflito no leste do Congo para que facilitem as operações de combate ao surto. Uganda, país vizinho, já confirmou novos casos, e uma tenda dos Médicos Sem Fronteiras em Mongbwalu foi incendiada.
Na província de Ituri, velórios foram proibidos após moradores da cidade de Rwampara entrarem em confronto com a polícia ao tentar recuperar o corpo de uma vítima — um problema sério, já que o manuseio de corpos é justamente uma das principais formas de transmissão do vírus.
Os voluntários da Cruz Vermelha estão agora indo de porta em porta para combater a desinformação sobre a doença na região.
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