0

Diário de Notícias

DN.

Em alta de 1,8%, Ibovespa encerra pela 1ª vez a 186 mil pontos, com blue chips

O Ibovespa subiu quase 2% neste início de semana e alcançou, pela primeira vez em encerramento, a linha de 186 mil pontos, em novo recorde de fechamento, embalado à tarde pelo forte desempenho do setor financeiro e pela virada firme nos carros-chefes das commodities, Vale (ON +1,96%) e Petrobras (ON +2,03%, PN +1,83%). Foi a 10ª vez este ano que o índice da B3 renovou máxima histórica de encerramento, em série que retroage, com interrupções, a 14 de janeiro. Nesta segunda-feira, 9, rompeu marca anterior, de 3 de fevereiro, então aos 185.674,43 pontos.

Entre a mínima e a máxima desta segunda, oscilou dos 182.950,20, na mínima correspondente à abertura, até os 186.460,08 pontos (+1,92%), no melhor momento da sessão, à tarde. Ao fim, marcava ganho de 1,80%, aos 186.241,15 pontos, com giro a R$ 27,7 bilhões, ainda significativo, embora mais fraco do que o observado nos pontos altos do rali deste ano quando superou, por diversas vezes, a marca de R$ 30 bilhões por sessão. No mês, o Ibovespa sobe 2,69% e, no ano, tem alta de 15,59%.

À exceção de BTG (Unit -0,12%), a sessão foi de ganhos graúdos para os maiores nomes do setor, como Santander (Unit +5,98%, na máxima do dia no fechamento), Itaú (PN +3,34%) e Banco do Brasil (ON +2,01%). Bradesco subiu 1,40% na ON e 1,46% na PN. Na ponta ganhadora do Ibovespa, além de Santander Brasil, destaque para Magazine Luiza (+7,55%), Cosan (+4,68%), WEG (+3,66%) e CSN (+3,58%). No lado oposto, Hapvida (-2,72%), Localiza (-1,97%), Cyrela (PN -1,29%, ON -1,09%) e Cury (-0,94%).

"Ainda há demanda por emergentes, e com Vale e Petrobras em alta, puxando a fila, leva o Ibovespa junto", diz Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos. "A realocação global de ativos, que beneficia também o Brasil, teve um capítulo adicional, com novos pontos de tensão macro após o BC chinês ter recomendado a bancos locais que não adquiram mais Treasuries, os títulos públicos americanos. E o Brasil acaba capturando uma parte disso, e muito concentrado nas blue chips como Vale e Petrobras", acrescenta.

"Há entrada de fluxo estrangeiro, forte ainda para Brasil, beneficiando as ações mais líquidas da B3 como Vale e Petrobras, que deram uma puxada, com efeito para o Ibovespa agora à tarde", diz Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos. Em Londres e Nova York, os contratos futuros de petróleo fecharam em alta de mais de 1% com o mercado reintroduzindo prêmios de risco geopolítico diante das incertezas em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã e de sinais de possível aperto na oferta global.

Neste contexto, a abertura de semana foi marcada também por ajuste importante no câmbio, com o dólar sendo negociado à vista na faixa de R$ 5,17 na mínima do dia, em baixa de 0,62% no fechamento, a R$ 5,1882. O ajuste acompanhou enfraquecimento da moeda americana no exterior, com o índice DXY, que o contrapõe a moedas como iene, euro e libra, refletindo fatores como o resultado da eleição no Japão e o atraso na divulgação de dados econômicos dos EUA para esta semana.

"O atraso em dados cruciais dos EUA, causado por mais um fechamento parcial do governo, adiou o principal relatório de emprego de janeiro para quarta-feira. Junto com o relatório de inflação (CPI) de janeiro, adiado para sexta-feira, esses indicadores serão o foco da semana e certamente criarão um ambiente de negociações volátil - normalmente, eles nunca são divulgados na mesma semana", diz Matthew Ryan, head de estratégia de mercado da Ebury.

Além disso, a eleição no Japão confirmou o fortalecimento do partido da premiê Sanae Takaichi, um desdobramento que pode levar o Banco do Japão a conduzir a normalização da política monetária de forma um pouco mais rápida, avaliam os estrategistas do Barclays. "A vitória esmagadora do LDP Partido Liberal Democrático, já no poder e a perspectiva de novos déficits orçamentários testarão o frágil equilíbrio recentemente alcançado nos mercados de títulos do Japão", diz Ryan, da Ebury.

"Os resultados da eleição japonesa trazem ao país um panorama de expansão fiscal e de cortes de impostos, levando a bolsa japonesa a fechar em forte alta nesta segunda-feira, apesar dos riscos que sua política econômica pode trazer à dinâmica das dívidas soberanas globais", observa Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.

"Neste ambiente, o movimento estrutural chamado de rotação global, que favorece mercados emergentes, ganha novo ímpeto e dá fôlego ao mercado brasileiro, que opera de olho em boas expectativas para a temporada de balanços corporativos do quarto trimestre de 2025 e pelo discurso moderado de Galípolo Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central em evento da ABBC nesta segunda-feira", acrescenta.

"O fluxo de capital estrangeiro permanece forte, o que tem contribuído para a sustentação do mercado doméstico. Esse movimento ocorre mesmo com as bolsas norte-americanas também operando em alta nesta segunda. Ao mesmo tempo, a curva de juros segue em trajetória de queda, reforçando um ambiente mais favorável aos ativos de risco", aponta Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital. Em Nova York, Dow Jones +0,04% (em recorde de fechamento), S&P 500 +0,47% e Nasdaq +0,90% no encerramento.

0 Comentário(s)

Faça login para comentar.