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Diário de Notícias

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Em sessão de baixa liquidez, taxas renovam mínimas com alívio vindo do exterior

Apoiada no ambiente externo, a curva de juros futuros ampliou a devolução de prêmios na segunda etapa do pregão e fechou renovando mínimas intradia em todos os vértices nesta quinta-feira, 9.

Com a liquidez comprometida pelo feriado estadual em São Paulo, as taxas tiveram oscilação amplificada. A dinâmica benigna foi influenciada principalmente pela descompressão global, na esteira da percepção de desenvolvimentos positivos no conflito no Oriente Médio.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Deppósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 cedeu de 14,041% no ajuste de quarta a mínima intradia de 13,99%. O DI para janeiro de 2029 anotou baixa a mínima intradia de 14,205%, de 14,358% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 recuou de 14,453% a mínima de 14,34%.

No início da tarde, fontes regionais confirmaram à CNN que Paquistão e Catar estão trabalhando para que Estados Unidos e Irã voltem à mesa de negociações. Delegações paquistanesas e catarianas foram os principais mediadores nas tratativas anteriores realizadas na Suíça, que culminaram no Memorando de Entendimento assinado em meados de junho. A notícia reforçou a percepção de alívio nas tensões, após o presidente Donald Trump ter voltado a afirmar, na quarta, que Teerã entrou em contato para fazer um acordo.

Ainda que a mídia iraniana tenha relatado novas explosões em várias regiões do Irã neste início de noite (horário local), os contratos futuros de petróleo fecharam a sessão regular com queda de cerca de 2%, o que moderou as curvas de juros globais e também se refletiu no Brasil. O Brent para setembro, que serve de referência para a Petrobras, caiu 2,2%, a US$ 76,30 o barril.

Sócio e economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio de Souza Leal observa que, nas últimas três sessões, o confronto entre EUA e Irã voltou a ditar os preços dos ativos, seja para cima ou para baixo. "Mas dado que, até agora, não temos nada de concreto sobre um acordo e houve ataques na madrugada, esse comportamento é um 'wishful thinking'. O mercado quer alguma notícia para tirar esse conflito da frente", disse.

Para Leal, o que tem mantido o mercado "calmo" em relação a questões ligadas à guerra é o fluxo de navegação relativamente pouco comprometido no Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto da produção mundial de petróleo. "Nos últimos três dias, o número de navios que passa por lá não caiu tanto em relação ao que ocorria antes. Ainda há embarcações passando, o que aparentemente torna a discussão mais fácil de ser resolvida neste momento", comentou.

A Capital Economics avalia que os mercados de títulos soberanos continuarão mais suscetíveis aos desdobramentos da guerra do que os de ações e moedas. Esses ativos estariam, por outro lado, mais bem posicionados agora do que há alguns meses para se sustentar, defende o economista-chefe de Mercados da consultoria britânica, Jonas Goltermann, em relatório desta quinta-feira.

"Avaliamos que é menos provável que um conflito renovado gere uma oscilação tão grande nas expectativas de juros de curto prazo como em março", diz Goltermann, uma vez que o ponto de partida no momento atual é diferente, dado que os investidores esperam trajetória mais conservadora da política monetária. "Isso, por sua vez, sugere que os rendimentos dos títulos soberanos na ponta curta da curva dificilmente subirão tanto quanto naquela ocasião", disse.

Por aqui, o único evento relevante no dia foi o leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional, que, de acordo com Leal, também ajudou a acalmar a curva de juros nominais. O Tesouro vendeu integralmente o lote de 4,15 milhões de Notas do Tesouro Nacional - Série F (NTN-F) ofertadas, assim como o lote de 9 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN).

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