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A endometriose é uma doença ginecológica crônica que atinge milhões de mulheres em idade reprodutiva e ainda representa um dos maiores desafios da saúde feminina no Brasil e no mundo. Muitas vezes confundida com cólicas menstruais comuns, a condição pode causar dores intensas, inflamações, sangramentos anormais e até infertilidade, impactando diretamente a qualidade de vida das pacientes.
A doença acontece quando o endométrio — tecido que reveste a parte interna do útero — se desloca para fora do órgão, atingindo estruturas como trompas, ovários, intestino, bexiga ou a própria pelve. Durante o ciclo menstrual, esse tecido reage aos hormônios, mas, por estar fora do lugar, não é eliminado pelo corpo, provocando processos inflamatórios recorrentes.
Como a endometriose se desenvolve
Durante o período fértil, o endométrio se torna mais espesso para uma possível gestação. Caso não haja gravidez, ele se desprende e é eliminado na menstruação. Em algumas mulheres, porém, fragmentos desse tecido migram para outras regiões do corpo. Fora do útero, ele continua reagindo ao ciclo hormonal, o que gera inflamação, dor e, em casos mais graves, formação de aderências e lesões.
Segundo especialistas, a pelve feminina é o local mais frequente de desenvolvimento da endometriose, mas a doença pode atingir outros órgãos.
Principais sinais de alerta
Entre os sintomas mais comuns estão:
- Cólicas menstruais muito fortes
- Dor durante ou após a relação sexual
- Dor entre os períodos menstruais
- Dor ao urinar ou evacuar
- Sangramento na urina ou nas fezes
- Dificuldade para engravidar
Os sintomas mais intensos costumam surgir entre os 25 e 35 anos, fase em que muitas mulheres recebem o diagnóstico após anos convivendo com dores sem explicação.
Diagnóstico ainda é um desafio
Um dos maiores problemas da endometriose é o diagnóstico tardio. Em média, mulheres levam de 7 a 10 anos para obter confirmação da doença. Exames de imagem, como ultrassonografia especializada e ressonância magnética, auxiliam na investigação, mas o reconhecimento dos sintomas e o acompanhamento médico são fundamentais.
Tratamento e qualidade de vida
O tratamento varia conforme a gravidade e pode envolver medicações hormonais, controle da dor, acompanhamento multidisciplinar e, em alguns casos, cirurgia. Embora não tenha cura, a endometriose pode ser controlada, permitindo que a paciente tenha rotina ativa, vida reprodutiva planejada e bem-estar.
Especialistas reforçam que cólica intensa não é normal e que buscar atendimento médico ao perceber dores persistentes é essencial para evitar a progressão da doença.
Conscientização é o primeiro passo
A endometriose ainda é cercada de desinformação e preconceitos, o que faz com que muitas mulheres normalizem a dor. Campanhas de conscientização e acesso ao diagnóstico são fundamentais para reduzir o sofrimento, ampliar o tratamento precoce e garantir mais qualidade de vida às pacientes.
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