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Diário de Notícias

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Enzo Ferrari morreu há 38 anos hoje — o homem que transformou velocidade em arte e paixão

Em 14 de agosto de 1988, há exatos 38 anos, morria em Maranello, na Itália, Enzo Anselmo Ferrari, aos 90 anos, vítima de leucemia. Nascido em Modena em 18 de fevereiro de 1898, ele deixou para trás não apenas uma fábrica de automóveis, mas uma ideia: a de que uma máquina pode carregar temperamento, orgulho e uma espécie de alma coletiva. Poucos nomes do século 20 associaram-se de forma tão completa a um objeto quanto Enzo ao cavalo rampante pintado sobre fundo amarelo.

Antes de ser patrão, foi piloto. Correu pela Alfa Romeo a partir de 1920, venceu seu primeiro Grande Prêmio em Ravenna, em 1923, e teve em 1924 a melhor temporada, com três vitórias. Ao todo, disputou 41 provas e somou 11 triunfos antes de abandonar o volante. Em 1929, fundou a Scuderia Ferrari, inicialmente como o braço de competição da própria Alfa Romeo. Só em 1947 a Ferrari passou a produzir carros com seu nome, começando pelo 125 S — o primeiro de uma linhagem que se tornaria sinônimo de desejo em qualquer país do mundo.

Sob seu comando, a escuderia conquistou nove títulos mundiais de pilotos e oito de construtores. Ele era conhecido como il Commendatore e il Drake, e cultivava uma imagem de figura distante e implacável, capaz de sacrificar relações pessoais em nome do resultado na pista. Raramente ia aos autódromos nos últimos anos, preferindo acompanhar as corridas de Maranello e comandar tudo à distância, com uma autoridade que ninguém dentro da fábrica ousava contestar.

A vida pessoal foi marcada pela perda. Alfredo, o Dino, morreu em 1956 aos 24 anos, vítima de distrofia muscular, e o luto acompanhou Enzo até o fim — o nome do filho batizou motores e modelos da marca. Piero Lardi Ferrari, nascido em 1945, só foi oficialmente reconhecido depois da morte de Laura, em 1978, e permanece ligado à empresa. Pouco antes de morrer, Enzo viu ser apresentado o F40, criado para celebrar os 40 anos da fábrica e recebido como uma despedida à altura: radical, barulhento e sem qualquer concessão ao conforto. Era, no fim das contas, um retrato bastante fiel de quem o encomendou.

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