O avanço de espécies exóticas de moluscos no Brasil tem preocupado pesquisadores e autoridades ambientais. Um levantamento científico divulgado nesta segunda-feira (27) mostra que o número de espécies não nativas registradas no país aumentou 215% nos últimos 15 anos, passando de 26 para 82. Desse total, 20 já são classificadas como invasoras, capazes de provocar danos à biodiversidade, à economia e até à saúde pública.
O estudo, considerado o primeiro inventário nacional abrangente sobre o tema, foi conduzido por pesquisadores de diversas instituições brasileiras e reúne informações sobre moluscos terrestres, de água doce e marinhos. Entre as espécies invasoras mais conhecidas estão o caramujo-africano e o mexilhão-dourado, organismos que se espalharam rapidamente pelo território nacional e vêm causando prejuízos ambientais e econômicos em diferentes regiões do país.
Segundo os cientistas, a introdução dessas espécies ocorre principalmente por meio do transporte internacional de cargas, embarcações, comércio de organismos vivos e movimentação de materiais contaminados. Uma vez estabelecidos em novos ambientes, esses moluscos competem com espécies nativas por alimento e espaço, alteram ecossistemas, comprometem cadeias alimentares e podem favorecer a disseminação de doenças.
Além dos impactos ecológicos, algumas espécies representam custos elevados para setores produtivos. O mexilhão-dourado, por exemplo, é conhecido por obstruir tubulações de usinas hidrelétricas, sistemas de abastecimento de água e instalações industriais, exigindo constantes operações de limpeza e manutenção. Já o caramujo-africano, além de provocar prejuízos agrícolas, pode atuar como hospedeiro de parasitas associados a doenças que afetam seres humanos.
Os pesquisadores destacam que o crescimento acelerado das espécies invasoras evidencia falhas no monitoramento e na prevenção da entrada de organismos exóticos no país. O estudo também aponta lacunas no conhecimento científico sobre diversas espécies já presentes no território brasileiro, o que dificulta ações rápidas de contenção e manejo.
Entre as recomendações estão o fortalecimento das políticas de biossegurança, o aumento da fiscalização em portos e fronteiras, investimentos em pesquisa científica e a criação de programas permanentes de monitoramento ambiental. Especialistas defendem que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficiente e menos onerosa para evitar que novas espécies invasoras se estabeleçam em ecossistemas brasileiros.
O levantamento reforça ainda que o controle das espécies exóticas invasoras é um dos principais desafios ambientais da atualidade. Em um país que abriga uma das maiores biodiversidades do planeta, impedir a expansão desses organismos é considerado fundamental para preservar ecossistemas naturais, proteger espécies nativas e reduzir impactos econômicos de longo prazo.
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