A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (4), após o governo norte-americano anunciar a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A decisão foi confirmada pelo Departamento de Estado dos EUA, que afirmou que a diplomata poderá permanecer em território americano, mas deixará de possuir um visto válido para futuras movimentações migratórias. Segundo Washington, a medida poderá ser revista caso o governo brasileiro conceda o agrément — a autorização diplomática necessária — ao indicado dos Estados Unidos para assumir a embaixada em Brasília.
A resposta brasileira veio poucas horas depois. Em nota oficial, o Itamaraty repudiou a decisão e classificou como "falsas" as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos. O governo brasileiro também afirmou que a medida representa uma escalada nas tensões bilaterais e a considerou uma tentativa de interferência em assuntos internos do país, especialmente em um momento de forte sensibilidade política. O Palácio do Planalto reforçou que o Brasil não aceita pressões externas sobre decisões soberanas de política externa e classificou a revogação do visto como um ato hostil e inaceitável.
O principal argumento apresentado por Washington é a demora do governo brasileiro em conceder o agrément ao diplomata Daniel Perez, indicado pela Casa Branca para chefiar a missão diplomática americana em Brasília. O Itamaraty, no entanto, rebateu a justificativa afirmando que a Convenção de Viena não estabelece prazo para esse procedimento e sustentou que os próprios Estados Unidos romperam o protocolo diplomático ao divulgar publicamente o nome do indicado antes da conclusão do processo formal de consulta entre os governos.
Maria Luiza Viotti é uma das diplomatas mais experientes da carreira brasileira. Ela já representou o Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU), foi embaixadora na Alemanha e assumiu a embaixada em Washington em 2023. Apesar da revogação do visto, autoridades americanas esclareceram que ela não foi expulsa dos Estados Unidos e permanece exercendo suas funções diplomáticas enquanto o impasse não é resolvido, embora enfrente restrições relacionadas ao status migratório.
O episódio amplia a deterioração das relações entre Brasília e Washington, que já vinham acumulando atritos em diferentes frentes diplomáticas. Nos últimos meses, os dois países trocaram críticas sobre temas políticos, eleitorais e institucionais, além de divergências envolvendo procedimentos diplomáticos e acusações mútuas de interferência em assuntos internos. Analistas avaliam que a revogação do visto de uma embaixadora em exercício é uma medida incomum na relação entre os dois países e representa um dos momentos de maior tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos nos últimos anos.
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