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Diário de Notícias

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Familiares de Marielle e Anderson dizem que decisão do STF é recado contra impunidade

Familiares da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes afirmaram nesta quarta-feira, 25, que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de condenar os mandantes dos assassinatos dos dois deu recados de combate à impunidade e enfrentamento à violência política com características de gênero e raça. O desfecho do caso ocorreu após oito anos de espera e dois dias de julgamento na Suprema Corte.

A ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle, Anielle Franco, afirmou que é preciso enfrentar e pôr um fim à mentalidade de parcela da sociedade que busca minimizar o assassinato da vereadora."Isso hoje também é um recado a uma parcela da sociedade que debochou da morte da minha irmã. Uma parcela da sociedade que todo ano eleitoral traz a minha irmã como um elemento descartável, ou como sendo apenas mais uma, ou como falavam 'o mimimi sobre Marielle Franco'", afirmou.

Anielle destacou a preservação da memória da irmã como um dos principais resultados do julgamento e reforçou que a violência política de gênero e raça que vitimou Marielle precisa ser "aniquilada", "acabada" e "exterminada" no País para que "outras mulheres possam ocupar os mesmos espaços e permanecer vivas".

Marinete da Silva, mãe da Marielle, agradeceu o trabalho das instituições envolvidas no caso, com destaque para o Ministério Público e a Defensoria Pública, assim como da imprensa por acompanhar as investigações. "É uma alívio. A pergunta que ecoava no mundo era quem mandou matar Marielle e hoje a gente está vendo. Tivemos uma justiça digna e saímos aqui de cabeça erguida", afirmou.

A mãe de Marielle passou mal durante o julgamento. Ela e o marido, Antônio da Silva, pai da vereadora, tiveram picos de pressão alta devido ao estresse. A neta, Luyara Santos, filha de Marielle, também foi atendida pelos bombeiros do STF com sinais de mal-estar e precisou ser retirada de cadeira de rodas do plenário.

Luyara, que atualmente exerce o cargo de diretora-executiva do Instituto Marielle Franco, afirmou que a decisão do Supremo honra os votos dos milhares de eleitores da mãe. "Se a gente chegou aqui hoje, é porque por oito anos ecoamos a pergunta de quem mandou matar Marielle", afirmou.

A vereadora Monica Benicio, viúva de Marielle, repetiu a avaliação de Anielle de que a decisão do STF enviou um recado às milícias e a outros grupos criminosos que atuam no Rio de Janeiro de que a Justiça brasileira não deixará casos como esse saírem impunes.

"Que o caso da Marielle possa servir como um recado àqueles que, na certeza da impunidade, como vários Brazões que existem ainda no Rio de Janeiro e no Brasil, assim como Ronnies Lessa e Queiroz, que esse tipo de violência não será mais aceito. O STF hoje quebra um ciclo de punitivismo seletivo, que para uns é que jamais iria chegar, enquanto para outros a condenação pela cor, pelo gênero, é sempre o caminho", afirmou.

A também viúva Agatha Arnaus, esposa do motorista Anderson Gomes, afirmou que ainda há esperança, apesar do cenário de violência que assola o Rio de Janeiro. A análise foi compartilhada por Fernanda Chaves, única sobrevivente do atentado, que classificou como histórica a decisão do STF.

"Quando a gente compreende que historicamente o Brasil tem uma dificuldade de condenar mandantes de grandes crimes, o Estado brasileiro hoje passa um recado de que crimes como esse, um feminicídio político, não é e não serão tolerados", disse.

A Primeira Turma do STF condenou, por unanimidade, Domingos Brazão, Chiquinho Brazão, Ronald Alves de Paula, Rivaldo Barbosa e Robson Calixto por arquitetar, ordenar e tentar acobertar os assassinatos. Todos estão presos preventivamente até o trânsito em julgado da condenação. Eles negam as acusações.

O ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal, foi acompanhado integralmente pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.

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