0

Diário de Notícias

DN.

FMI: investimentos em tecnologia atingiram maior nível nos EUA desde 2001, mas riscos persistem

Continue lendo o artigo abaixo...

Os investimentos em tecnologia nos EUA atingiram maior nível desde 2001 no ano passado, compondo parte significativa do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Contudo, o nível de valorização ligado a inteligência artificial (IA) representa riscos significativos para a economia global, avalia o Fundo Monetário Internacional (FMI), em artigo assinado pelos conselheiros Financeiro, Tobias Adrian, e Econômico, Pierre-Olivier Gourinchas, divulgado hoje.

A rápida valorização de papéis de tecnologia e IA criaram condições financeiras favoráveis e resultados corporativos robustos, financiando novos gastos de capital, aponta o Fundo. "Mas o financiamento de dívidas está se tornando mais prevalente, aumentando a alavancagem. Essa mudança possui riscos notáveis: pode amplificar choques se não houver retorno ou se as condições financeiras apertarem, ampliando preocupações sobre contágio de todo o sistema financeiro", alertam.

Ainda, a lucratividade de empresas seria comprometida e ficaria sensível a rumores sobre depreciação. Atualizações frequentes de equipamentos também apertariam as margens de lucro e demandariam financiamento adicional por endividamento, ressaltando a importância de monitorar o acúmulo de alavancagem do setor e suas vulnerabilidades.

Apesar de afetar majoritariamente os EUA e economias asiáticas focadas em tecnologia, a desvalorização de ações de tecnologia teria reflexo sobre índices acionários e sobre pares do setor não-listados. A capitalização de mercado também teria grande efeito sobre o consumo mesmo sob correção modesta dos preços, considerando seu porcentual em relação ao PIB nos EUA - em níveis muito superiores ao da bolha da internet em 2001.

O FMI lembra que o declínio rápido de investimentos em IA pode reverberar sobre o mercado de trabalho, reduzir ganhos de produtividade e gerar perdas de riqueza nos EUA e no exterior, tendo em vista a quantidade de estrangeiros em posse de ativos americanos. "Isso pesaria sobre o consumo, espalharia os efeitos negativos sobre a demanda globalmente e aumentaria custos de empréstimo externo", observa, notando que isso afetaria até mesmo economias com baixa exposição a tecnologia.

0 Comentários

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu Comentário

Você deve estar logado para comentar.