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Diário de Notícias

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Galípolo sugere debater razão pela qual País precisa de juros tão altos para perseguir meta

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu nesta quarta-feira, 11, que a meta de inflação de 3% no Brasil está em linha com a dos pares. Ponderou, no entanto, que é necessário debater melhor a razão pela qual o País precisa de juros tão elevados para perseguir essa meta.

"O que eu acho que realmente precisa ser melhor debatido com a sociedade é por que o Brasil precisa sustentar taxas de juros, comparativamente aos seus pares, mais elevadas, para, com muito esforço, conseguir fazer uma convergência maior para a meta. Eu acho que esse é o tema", disse o presidente do BC.

As declarações foram realizadas na CEO Conference Brasil 2026, organizada pelo BTG Pactual em São Paulo.

Mercado de trabalho

O presidente do Banco Central avaliou também que, apesar dos sinais divergentes vistos recentemente, o mercado de trabalho brasileiro segue bastante apertado. "Estamos com níveis de desemprego historicamente baixos", observou Galípolo, que disse entender que as transformações no mercado de trabalho no País provavelmente são conjunturais e estruturais.

Ele também chamou a atenção para o pouco ganho de produtividade da economia brasileira, que classificou como um problema de ordem estrutural. Observou que os reajustes de salário no País seguem acima da inflação e produtividade. Enfatizou, por fim, que esse é um tema central para ser discutido.

"Como é que conseguimos colaborar para um ambiente mais amigável, mais convidativo, para que o investimento privado possa ocorrer e para que esse investimento privado consiga produzir de maneira mais sustentável ganhos de produtividade? É algo que não vai acontecer do dia para a noite. Tem de ter persistência, tem de seguir num processo durante muito tempo. Mas creio que essa é uma agenda central para que a gente consiga não só crescer, mas se desenvolver", afirmou Galípolo.

Palavra-chave

O presidente do Banco Central disse nesta terça-feira que a palavra-chave da autarquia durante a sua gestão será "estabilidade", depois de um forte avanço na agenda de competição, inclusão financeira e tecnologia.

"É normal que existam movimentos pendulares, e esses movimentos pendulares não são negações aos movimentos anteriores, eles são complementações aos movimentos anteriores", disse Galípolo. "Agora é um momento que o Banco Central entende que ele precisa calcar e centrar na estabilidade, que é o seu mandato central."

Indicações de diretores ao BC

O presidente do Banco Central se negou a comentar sobre os nomes que foram sugeridos pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para a diretoria da autarquia. Quando indagado sobre o tema durante o evento do BTG Pactual, em São Paulo, ele disse que a escolha é uma prerrogativa exclusiva do presidente da República.

"Mesmo que eu já tenha tido qualquer tipo de conversa com o presidente sobre o tema, eu vou preservar essa conversa com o presidente, justamente para evitar gerar qualquer tipo de ideia de que eu estou extrapolando o que é minha função", disse Galípolo. "Tenho uma relação excelente com o presidente, tenho uma relação excelente com o ministro Fernando Haddad."

Na semana passada, Haddad confirmou ter sugerido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva os nomes do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, e do professor da Universidade de Cambridge Tiago Cavalcanti para as duas vagas abertas no BC. O mercado criticou a possibilidade da indicação de Mello, que é visto como um economista heterodoxo.

Na sua fala, Galípolo ressaltou ser amigo de Mello há 20 anos e ter uma relação "excelente" com o secretário. Ele disse não conhecer Cavalcanti, mas ponderou que se trata de um "profissional excelente".

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