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Diário de Notícias

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Garimpo ilegal faz desmatamento crescer 660% em área protegida da Amazônia em Mato Grosso

O desmatamento provocado pelo garimpo ilegal de ouro aumentou 660% em apenas oito meses no Parque Nacional do Juruena, unidade de conservação localizada na Amazônia e que abrange áreas de Mato Grosso e do Amazonas. O avanço foi identificado em estudo da Amazon Conservation, realizado em parceria com o Instituto Centro de Vida (ICV), que analisou a expansão da mineração ilegal na bacia do Rio Juruena.


Segundo o levantamento, a área desmatada pela atividade garimpeira dentro do Parque Nacional do Juruena passou de 10,5 hectares, em agosto de 2025, para 79,5 hectares em abril de 2026. A exploração está concentrada principalmente na porção sudoeste da unidade. O parque possui cerca de 1,96 milhão de hectares e foi criado em 2006 para proteger a biodiversidade, os recursos naturais e os serviços ecossistêmicos da região.


O estudo também identificou uma situação preocupante no Parque Estadual Igarapés do Juruena, em Mato Grosso. Nesse território, a área afetada pelo garimpo passou de 8,6 hectares, em junho de 2025, para 43,7 hectares em março deste ano, um crescimento de aproximadamente 408%. As duas unidades fazem parte de uma região estratégica para a conservação da porção sul da Amazônia brasileira.


Para identificar as áreas atingidas, os pesquisadores utilizaram alertas de desmatamento relacionados à mineração e imagens de satélite de alta resolução. As informações foram cruzadas com dados públicos sobre autos de infração, embargos e ações de fiscalização realizadas por órgãos ambientais. A análise mostra que a expansão do garimpo ocorre apesar de operações promovidas nos últimos anos para combater atividades ilegais dentro das áreas protegidas.


Somente no Parque Nacional do Juruena, dados levantados pelos pesquisadores indicam a realização de 15 operações de combate à mineração desde 2010. Em abril de 2025, uma ação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em conjunto com o Ibama e a Força Nacional, apreendeu e inutilizou quatro escavadeiras e duas dragas utilizadas no garimpo ilegal. Duas áreas que somavam aproximadamente 40 hectares também foram embargadas.


Além da retirada da cobertura vegetal, o garimpo pode provocar alterações nos cursos d'água, abertura de acessos e instalação de estruturas para sustentar a exploração mineral. O avanço registrado no Juruena reforça o desafio enfrentado pelos órgãos ambientais para conter atividades ilegais em uma região considerada estratégica para a biodiversidade e para a conservação da Amazônia brasileira.

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