O Grupo Gennius, que controla as redes de restaurantes Habib's (comida árabe), Ragazzo (massas e salgadinhos), Tendall Grill (carnes) e outros, entrou em recuperação judicial, com dívidas de R$ 265,2 milhões. O pedido foi feito à 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais na segunda, 24, e aceito no dia seguinte.
Procurado, o grupo disse que a recuperação judicial é "parte de seu processo de reestruturação financeira, com o objetivo de preservar a sustentabilidade e a evolução do negócio no longo prazo". Informou também que as operações seguem funcionando normalmente.
No fim de julho, o grupo havia conseguido com a Justiça um pedido de tutela cautelar antecedente contra credores.
Esse tipo de instrumento jurídico é uma espécie de pedido de proteção antecipada contra a execução de dívidas e costuma acontecer antes de um pedido de recuperação judicial.
Essa medida pretendia abrir espaço para renegociação com credores, mas o objetivo não foi alcançado, sendo necessário o pedido de recuperação judicial, de acordo com o grupo.
Entre os motivos para a crise, foram citados os impactos da pandemia entre 2020 e 2022 e as subsequentes mudanças nos hábitos de consumo com a disseminação de plataformas de marketplace.
Esse cenário foi agravado pelo endividamento bancário superior a R$ 300 milhões, que passou a absorver uma parcela crescente do fluxo de caixa e a comprometer a manutenção das atividades.
A Justiça nomeou a KPMG Corporate Finance como administradora judicial. O grupo tem agora 60 dias para apresentar seu plano de recuperação.
Apesar de o juiz ter suspendido cláusulas automáticas que antecipem vencimentos de dívidas e ter determinado o fornecimento de insumos com pagamentos à vista, ele negou o pedido de quebra de travas bancárias.
O grupo pretendia liberar créditos de recebíveis cedidos fiduciariamente aos bancos, de modo a liberar dinheiro para o caixa da empresa.
Rede cresceu com vendas à classe C e D
Fundada em 1988 por Alberto Saraiva, o Habib's tornou-se uma rede nacional seguindo o modelo de franquias. Na década de 2010, a rede expandiu-se rapidamente e chegou a faturar R$ 3 bilhões ao ano, com 600 unidades em operação, na busca pelo consumidor da classe C.
Nos últimos anos, manter centenas de megalojas de rua (restaurantes com estacionamento, parquinho infantil e drive-thru) tornou-se financeiramente insustentável.
O grupo iniciou um processo de reestruturação: fechou dezenas de pontos físicos grandes e deficitários e passou a apostar em modelos enxutos, como lojas menores em praças de alimentação de shoppings e quiosques focados em delivery e dark kitchens.
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